06 março 2013

Barreiras Atitudinais - preconceitos devem ser responsabilizados civil e criminalmente


Temos por mais de uma vez publicado em nosso blog, postagens de pais, que utilizam a mídia para – na maior parte das vezes –  entre outros, questionarem dificuldades e desafios, esclarecerem e refletirem sobre o dia-dia com seus filhos com deficiências.
Essas postagens têm  ajudado muito outros pais, parentes, familiares, profissionais e pessoas,   de diversas formas e ao tornarem público seus sentimentos, suas reivindicações, seus caminhos e suas frustrações, mobilizam centenas de pessoas tanto em reflexões, como em mudanças de atitudes, e muitas vezes em mobilização para acessarem direitos inerentes.
Temos no Brasil uma população com deficiência motora na ordem de 13,3 milhões ( 5,3% para homens e 8,5% para mulheres).
No mundo mulheres e meninas com deficiência são particularmente vulneráveis a abusos. Pessoas com deficiência são mais propensas a serem vítimas de violência ou estupro, e têm menor probabilidade de obter ajuda da polícia, a proteção jurídica ou cuidados preventivos. Cerca de 30% dos meninos ou meninas de rua têm algum tipo de deficiência, e nos países em desenvolvimento, 90% das crianças com deficiência não freqüentam a escola.
Esses números e essas estatísticas refletem que muito há que se fazer, para alterarmos os caminhos do respeito, da igualdade de direitos e da plena cidadania.

Mas o que mais precisamos combater é o preconceito, as barreiras atitudinais.

É nesse sentido que hoje, pedimos licença à Vanessa, para reproduzir o texto que ela postou em 02 de março de 2013 no perfil, que ela criou no facebook:  “Diário de uma mãe especial” (http://www.facebook.com/pages/Di%C3%A1rio-de-uma-m%C3%A3e-especial/156980764445265?ref=stream)

“Vocês devem saber que recebo inúmeras mensagens tanto no email, como nos comentários e mais ainda por inbox aqui na página, e então hoje recebi uma que me surpreendeu... Dizia ela: Pare de postar essas coisas! Acha mesmo que sua filha é feliz? Acha que ela gosta que fique se mostrando para todos? Duvido que você não queria ter uma filha normal.
Eu fiquei um tanto quanto intrigada, e então pensei comigo: Porque parar de postar sobre a vida da minha filha, será que estou indo longe demais, será que as pessoas pensam que eu invento tudo isso, que a nossa vida é só tristeza e nos camuflamos através de fotos e mensagens bonitas? Me questionei durante um tempo... e constatei:

Essa pessoa deve ser tão infeliz que não aceita que uma criança com as limitações que Aninha tem pode ser e é mais feliz que ela, e que a palavra “amor” não faz parte de sua vida, senti pena dela, uma sentimento que abomino pois eu não gosto de sentir pena das pessoas assim como não gosto que as pessoas sintam pena de nós.
Sobre o quesito normalidade: Sim... meu maior desejo era que Aninha fosse uma criança normal, não por mim, mas por ela que vai ter que enfrentar o mundo com pessoas inescrupulosas como essa, temo pelo seu sofrimento, temo pelo preconceito sofre, enquanto a mim eu gosto dessa rotina, só consigo ser Mãe especial porque tenho uma linda criança especial que jamais vai me decepcionar, ela só me dá amor. Ah! Falando em normalidade, será que todos somos mesmo normais? O que é ser normal? Andar, falar, saber as cores, ter aparência física, postura corporal? Desculpem-me mas o que deve de sair de besteiras da boca dessa criatura mescladas com atitudes preconceituosas... Eu sei que a ideia de expor a nossa vida poderia atrair esse tipo de pensamento e de gente, a internet é pública e um meio de comunicação bem viável a todos, mas eu sei lidar super com isso, minha maturidade é incrível, só resolvi contar aqui para vocês para termos uma exata dimensão do que as pessoas pensam sobre as crianças e famílias especiais.
Eu não quero mais lutar para que a minha filha não seja vista apenas como uma portadora de deficiência incapaz. Eu não quero mais ter que explicar tudo que ela sabe fazer. Eu não quero mais ver gente olhando pra nós com piedade, como se houvesse algum motivo pra isso. Também não quero que ela seja chamada de apelidos, mas que tenha direito ao exercício pleno da sua cidadania.
Mas porque eu quero viver num mundo em que ela possa apenas ser Ana Laura, uma menina alegre, amorosa, que adora música e chocolate. Que fica brava, chora, ri e se emociona como todo mundo. Que tem música favorita, comida preferida, que assisti novela, que fica linda de roupinha bacana e rabo de cavalo. Que sabe, como ninguém, quando eu preciso de um carinho.
Transformo a minha declaração num manifesto de repúdio a todo e qualquer preconceito. Não só aquele que se dissemina através das idéias, mas que se concretiza em ações discriminatórias que continuam excluindo um contingente enorme de pessoas das melhores coisas da vida. Que torna o mundo, para muitos de nós, um lugar hostil e limitado quanto às perspectivas de felicidade.
Ajude a acabar com o preconceito, começando com os seus. Seja mais um a trabalhar para que o mundo seja um lugar melhor. Pra todos. 

Eu sou a mãe mais feliz do mundo porque sou mãe da Ana Laura essa “coisa” que você se referiu, é a menina mais especial de todas, e eu não vou parar de publicar, pois sua opinião não me atingiu a esse ponto, minha alma é evoluída e sabe contornar muito bem os devaneios de pessoas despreparadas como você, alguém precisa apresentar ao mundo que famílias especiais são muito felizes sim, nunca vou precisar buscá-la numa porta de cadeia.

Você deve se julgar perfeito e normal, mas é um doente camuflado de saúde.

#desabafei#”


Resta para todos nós, envolvidos e comprometidos com a qualidade de vida das pessoas com deficiências, sempre que for possível denunciar, esclarecer, mobilizar, lutar pela que o preconceito seja responsabilizado  civil e criminalmente.

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30 janeiro 2013

Sala de Recursos Multifuncionais em Inclusão Escolar e Acessilidade - Alimentação


A inclusão escolar, da criança e adolescente com deficiências, deve ser focada em todas as práticas que fazem parte do dia-dia escolar.
Muitos profissionais e pais relatam que desconhecem os recursos existentes nessa área, por tanto, pretendemos com este post esclarecer um pouco do que fabricamos nesse segmento.

Como desenvolvedores de produtos assistivos, começamos o ano, enfatizando alguns dos lançamentos que fizemos em 2012 para as  atividades de alimentação, de coordenação motora fina, bem como materiais pedagógicos auxiliares e recreativos, para que o desenvolvimento cognitivo, cultural e social, possa ser efetivado, mesmo para aquelas crianças/adolescentes com graves dificuldades.

Nesta sequencia de post iremos numerar cada especialidade começando com alimentação.

Finalizando dizemos que temos muitos outros recursos, e que realizamos também produtos assistivos personalizados.E que prestamos consultoria, assessoria, visitas e cursos, bem como treinamentos, workshops e demais atividades em Inclusão Escolar – sala de recursos multifuncionais  -  e Acessibilidade. 


ALIMENTAÇÃO: Talheres e Pratos

OF 8
Colher Plástica Reta com engrossador -  R$10,00









OF 9 / 0F10
OF9     – Colher Plástica  curva a D com engrossador R$ 14,00
OF10   – Colher Plástica  curva a E com engrossador R$ 14,00












OF 11 / 0F12
OF11    – Colher Metal curva a D com engrossador R$22,0
OF12    – Colher Metal curva a E com engrossador R$ 22,00












OF 13A / 0F13B
OF13A    – Colher Balancinho R$ 76,00
OF13B    – Garfo Balancinho   R$ 76,00















OF14 –PRATO COM VENTOSA
Em inox, com quatro ventosas de polietileno fixadas por tubo de alumino rebitado.R$64,00

OF23 –PRATO PLASTICO
OF23A – PRATO MAIOR
Prato plástico com rebordo e antiderrapante -  R$ 30,00
OF23B – PRATO MENOR Prato plástico com rebordo e antiderrapante -  R$ 25,00


















KIT ALIMENTAÇÃO
KIT 1
Composto de Prato com Ventosa, Prato Plástico Maior, Prato Plástico Menor, Um par de Colheres Metal Curva D/E com engrossador, Um par de Colher Plastica Curva D/E com engrossador, Um par Talheres Balancinho, Um par de Talheres Retos com engrossador
R$ 320,00












KIT 2
Composto de Prato Plástico Maior, Prato Plástico Menor,  Um par Talheres Balancinho, R$ 190,00




TUBOFORM FACILITADORES PARA A ALIMENTAÇÃO

TTF Gama (Tuboform Gama)
 
TFF3 (Tuboform Facilitador dorsal)

 TFF2 (Tuboform Facilitador dorsal e palmar)





TFP:Tuboform Posicionador - TFP1 ( Estabilizador de Punho) + Talher Balancinho Exemplo meramente ilustrativo

TFF1 (Tuboform Facilitador de Punho e Polegar)






No nosso próximo post, iremos focar, as atividades motoras finas: escrita, pintura, jogos.

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24 janeiro 2013

Deficiente físico SIM! De caráter NÃO!

by Mari Hart, mãe polvo

"Esse é um daqueles posts relacionados ao publicado na última segunda-feira, mas que eu não gostaria de precisar jamais escrever novamente. Pode parecer repeteco, e de fato- é. Mas enquanto eu existir e tiver forças, irei fazê-lo. Não só por ser mãe do Leo, um menino lindo tetraplégico de 6 anos de idade. Mas por todos, pelo mundo, pelo futuro dos meus outros filhos tb e das pessoas que amo. A mesma cena, só mudam os personagens. E a pergunta continua inevitalmente:

Até quando?! (assim mesmo, GRITANDO, em capslock!)

Início de tarde, resolvi encarar a aventura de ir ao cinema sozinha com meus gêmeos. Pode parecer simples e fácil para qualquer mãe, mas não para uma mulher que tem como a extensão do corpo do filho, uma cadeira de rodas. No estacionamento haviam vagas disponíveis, preferenciais e 'comuns', afinal, ainda era cedo sem muito movimento naquele famoso shopping carioca, o New York City Center, continuação do Barra Shopping. Faço questão de dizer os nomes.

Ao estacionar, enquanto eu retirava a cadeira de rodas de Leo da mala do carro, o posiconava, e instruía Pedro em como sair de sua cadeirinha, percebi uma mulher guardando suas compras em seu carro, estacionado na vaga reservada a deficientes. Muito mal estacionado por sinal, estava atravessado, ocupando tb a parte destinada a montagem das cadeiras. Meu dever será sempre alertar. Quer dizer, mais do que dever, missão de uma mãe de criança com paralisia cerebral.

- "Oi tudo bem!? Essa vaga é para deficientes, vc viu?!"
- "É, eu sei! Mas tem muita vaga por aí!"
- "Pois é! Se todos pensarem assim, quando chegar um deficiente, não terá vaga para ele!"

 E ela retrucou:

- "Hãn, até parece que vai chegar um monte de deficiente ao mesmo tempo." E deu de ombros, um sinal de 'tanto faz'.

Com certeza esta moça, não percebeu que as vagas são maiores para a montagem de cadeira de rodas, de mais fácil acesso ao shopping, e mais perto das entradas. Mas o egoísmo e egocentrismo falam mais alto. É a tal da ignorância por opcão, para mim, o pior tipo. Para ela muito cômodo, mas e se fosse ao contrário!? Pois bem. Depois dela desdenhar, eu passei com meus filhos e disse:

- "É para deficientes físicos, e não de caráter!" E a "senhora da razão",
respondeu com bastante raiva:

 - "Ah, vai te catar!"

Se até ali meu sangue estava quente, depois desta ferveu. Borbulhou. Enquanto isso ela já havia guardado suas compras com um ajudante. Pq sim, ela tinha ajudante para guardar suas futilidades e eu retiro e coloco diariamente a cadeira de rodas de Leo que pesa por volta de 22kg na mala. Não me contive e começou a baixaria. Xingamentos horrorosos que não cabem a um blog de família como este, deixo pela imaginação de vcs. Tb tenho a pela noção de que não é o correto a ser feito, pois acabo perdendo minha razão. Ela ainda parou o carro para brigar perguntando; "Como é que é?!" E eu repeti tudo. E segui minha vida, afinal, tínhamos horário para o filme.

Eu respirava fundo, tinha proposto um passeio bacana com meus filhotes e não queria me deixar abalar. E então Pedro disse: "Mãe, não é assim que se fala com as pessoas! É assim que vc quer fazer amigos!? Isso é bullying sabia!?" Precisei conversar com ele, dizendo que realmente xingamentos são errados, e dei-lhe quase total razão, se não fosse um porém; não preciso de amigos deste tipo. Mas ao mesmo tempo, expliquei que precisamos sempre lutar pelos nossos direitos, pelo correto e o quão grave foi a falha daquela pessoa.

Do fundo do meu coração, admito. Gostaria de ter toda essa inocência dele, que foi perdida em mim pelo desrespeito, descaso, falta de humanidade alheia. E mais ainda. Desejaria que aquela pessoa, protagonista do terrível ato, tivesse ao menos 1% da sensibilidade de meu filho de 6 anos. Tenho certeza que todos seríamos muito mais felizes. Quando voltamos do filme, já a tardinha, TODAS as vagas estavam ocupadas e se vcs acham que por deficientes, estão enganados. Provavelmente, todos pensaram como ela "tem outras por aí", e lotou. 

Há um tempo fiz uma campanha de conscientização sobre a importância dessas vagas. Minhas comadre- Camila Góes, uma mulher comum como eu, cadeirante, certa vez escreveu aqui um 'guest post' contando um fato dentro deste contexto, que vale a pena ler de novo. O post chama-se "Procurando vaga"(é só clicar!) Vale a leitura. Na mesma época, fiz panfletos com o intuito de serem deixados no pára-brisa dos carros que cometem este crime, não previsto em lei, mas o crime contra a dignidade do outro. Pois é assim que me sinto a cada vez que me deparo com estas cenas; violentada.

Muitos devem estar pensando "ué, mas existe uma lei que multa!". Sim, mas vale somente para estacionamentos públicos e não privados. E afirmo mesmo assim, não funciona! Tenho relatos de amigos que podem provar. Acho que nosso direito só vai fazer valer quando doer no bolso dos tais deficientes de caráter. Já que não posso mudar o mundo sozinha, compartilho aqui com vcs a "multa moral" que já é usada em shoppings de cidades como São Paulo, e me foi enviada há algum tempo por uma amiga paulistana e o uso até hoje. Para quem quiser ajudar nesta campanha, aqui está. Pq juntos, somos mais fortes. E precisamos nos unir, não só pelos "Leos" e "Camilas" da vida, mas por uma vida mais justa. Para todos nós.



Nota; Tirei foto do carro da fulana, e publiquei me meu Facebook aberto a público. Não darei ibope a esse tipo de gente aqui. Mas para quem quiser ver, está lá."

In:http://contosmamaepolvo.blogspot.com.br/2013/01/deficiente-fisico-sim-de-carater-nao.html
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28 dezembro 2012

Premio Finep Inovação 2012 - Os caminhos de Tecnologia Assisitva no Brasil


Estamos encerrando 2012.           
E a Expansão está de parabéns.



Apesar das poucas notícias, foi um ano difícil para a maioria das empresas que desenvolvem Tecnologia Assistiva. Além da recessão, tivemos forte competição do mercado oriental.

As diversas compras governamentais, foram atendidas por empresas que abastecem o mercado com genéricos chineses.

A questão principal continua sendo a qualidade, assistência técnica e claro, os preços. Os fabricantes chineses usufruem de imensos incentivos fiscais em seu país e assim, seus preços são competitivos, seus produtos são a maioria copiados, somente recentemente gerando inovação e desenvolvimento. Na maior parte da produção de tecnologia assistiva não há período de experimentação, de calibração junto ao cliente, de análise de usabilidade e funcionalidade.

Temos uma história de 22 anos produzindo inovação. Estamos em constante ausculta com nossos clientes, com os profissionais envolvidos,  com os centros de reabilitação, com os cuidadores e familiares. Este ano conseguimos novamente depositar uma patente de invenção. Muitas vezes levamos mais de dois anos, desde a ideia inicial, até a produção de um protótipo.

Também sofremos com as cópias e com a espionagem industrial. Nem sempre podemos patentear nossos novos produtos. Carecemos  (o que não falta em muitos outros países) de órgãos que intermedeiem os inventores, que os orientem e fomentem as patentes, com taxas significativamente mais acessíveis.

A ciência Tecnologia Assistiva, ainda é muito incipiente em nosso país. Somos muito mais artesanais, fazemos carreatas com costureiras e tapeceiros, para fornecer produtos assistivos caseiros, ergonomicamente e biomecanicamente insatisfatórios.  Deixando assim de fazer follow-up e rever se oferecemos os recursos completos e pertinentes às necessidades.

Os pregões públicos ainda compram, aceitando a menor oferta por uma cadeira de rodas personalizada, desconsiderando a necessidade de aplicação e acompanhamento continuados até o seu ajustamento estar adequado àquele cliente grave.

A Expansão vem desenvolvendo há muitos anos o sistema personalizável, por acreditar que essa premissa, de ajustabilidade continuada, seja econômica para os cofres públicos e para seus utilizadores, seja também terapeuticamente  eficaz porque o equipamento possui todas as regulagens para atender às diversas intercorrencias de melhoras ou agravos.

É uma inovação conceitual que fizemos há 22 anos. E que vem sendo avaliada e reconfigurada de acordo com a usabilidade dessa  conceituação terapêutica. Por isso denominamos nossa empresa como Laboratório de Tecnologia Terapêutica, entendendo que esse laboratório é um grande alquimista de idéias, práticas e ciência.

Este ano, graças a iniciativa da FINEP de financiar as empresas de Tecnologia Assistiva (TA), criando o Premio Inovação - categoria TA – pudemos  concorrer a essa premiação pela região sudeste. Ao sermos vencedores por essa região, concorremos automaticamente à premiação nacional, com nossa linha de órteses Tuboform.

Estávamos entre as três empresas finalistas, e justamente a ganhadora do prêmio nacional é a que produz o seu dispositivo em Taiwan, em sociedade com uma empresa daquele país. O brasileiro que fez uma inovação numa caneta leitora, desconhecendo o campo de TA, fez essa inovação buscando outro nicho de mercado, e continuou com a produção do dispositivo com seus sócios fora do país. Com certeza os jurados se encantaram com a funcionalidade da caneta como um todo, que independe do mercado de TA .

Mais uma vez foi dado um prêmio para um produto para pessoas com deficiência visual, de usabilidade questionável, pois ainda não foi avaliado por uma parcela significativa dessa população.

Assim, ficamos muito tristes com a notícia e com a falta de critério de avaliação mais refinado por parte da equipe da FINEP.

Entendemos que TA é uma grande novidade no país assim como, para o nosso governo, gestores, empresas financiadoras, serviços públicos, órgãos de dispensação, etc. Mas quando desconhecemos um assunto, precisamos justamente ser muito mais criteriosos nos caminhos que vamos percorrer para apreender seu domínio.

Tuboform este ano renovou-se com mais 5 novos modelos, atendendo às demandas de desenho universal e a parcela significativamente maior de pessoas com deficiências por conta dos acidentes no trânsito, do aumento de crianças com síndromes raras ocasionadas pelos agravos do planeta, e também considerando o aumento da população de idosos, graças a maior expectativa de vida.

Apresentamos a nova geração de Tuboform, Premio FINEP Inovação 2012.
Nossos lançamentos comemorando o novo ano 2013
Feliz Ano Inclusivo para Todos.

Tuboform Gama







Tuboform @Arroba






Tuboform Delta



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26 dezembro 2012

"Como nasceu a Alegria" - uma história sobre diferenças


Rubem Alves
lustrações de Roberto Caldas
Editora Paulus
Coleção Estórias para pequenos e grandes – 1999

 

“Aos contadores das estórias”

O mundo das crianças não é tão risonho quanto se pensa. Há medos confusos, difusos, as experiências das perdas, bichos, coisas, pessoas que vão e não voltam.... O escuro da noite: o mundo inteiro se ausentou. Voltará?

Os grandes não gostam disso e inventam estórias de meninos e meninas que eram só risos. Talvez para convencerem a si mesmos de que sua própria infância foi gostosa...

Escrevi as estórias da Coleção ESTORIAS PARA PEQUENOS E GRANDES, em torno de temas dolorosos, que me foram dados por crianças. Não é possível fazer de conta que eles não existem. ..

Nem o livro que se lê nem o disquinho que se ouve têm o poder de espantar o medo.

É preciso que se ouça a voz de um outro, que diz:

-Estou aqui, meu filho...”

“Esta estória foi construída em torno da dor da diferença: a criança que não se sente bem igual às outras, por alguma marca no seu corpo, na sua maneira de ser... Esta eu sei bem, é estória para ser contada também para os pais.

Eles também sentem a dor dentro dos olhos.

Alguns dos diálogos foram tirados da vida real.

Ela lida com algo que dói muito: não é a diferença, em si mesma, mas o ar de espanto que a criança percebe nos olhos dos outros. Dizem os poemas sagrados que, após a queda, os olhos foram a primeira parte do corpo a ser envenenada. De órgãos de carinho transformaram-se em ferrões. Homens e mulheres descobriram o embaraço da diferença e se esconderam...

O medo dos olhos dos outros é sentimento universal. Todos gostaríamos de olhos mansos....

A diferença não é resolvida de forma triunfante, como na estória do Patinho Feio. O que muda não é a diferença. São os olhos...”


 


Imagem disponível em:

http://i.s8.com.br/images/books/cover/img7/143377_4.jpg

Título: COMO NASCEU A ALEGRIA
Editora: Paulus
Autor: RUBEM ALVES
ISBN: 8534900884
Origem: Nacional
Ano: 2002
Edição: 17
Número de páginas: 16
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

"COMO NASCEU A ALEGRIA"
(Rubem Alves)


Você pode não acreditar, mas é verdade: muitos anos atrás a terra era um jardim maravilhoso.
É que os anjos, ajudados pelos elefantes, regavam tudo, com regadores cheios de água que eles tiravam das nuvens. Esta era a sua primeira tarefa, todo dia.
Se esquecessem, todas as plantas morreriam, secas, estorricadas... Para que isso não acontecesse, Deus chamou o galo e lhe disse:
- Galo, logo que o sol aparecer, bem cedinho, trate de cantar bem alto para que os anjos e os elefantes acordem...
E é por isto que, ainda hoje, os galos cantam de manhã...
Flores havia aos milhares. Todas eram lindas. Mas, infelizmente, todas elas eram igualmente vaidosas e cada uma pensava ser a mais bela. E, exibindo as suas pétalas, umas para as outras, elas se perguntavam, sem parar:
- Não sou a mais linda de todas? Até pareciam a madrasta da Branca de Neve.
Por causa da vaidade, nenhuma delas ouvia o que as outras diziam e nem percebiam que todas eram igualmente belas. Por isso, todas ficavam sem resposta.
E eram, assim, belas e infelizes.
No meio de tanta beleza infeliz, entretanto, certo dia uma coisa inesperada aconteceu.
Uma florinha, que estava crescendo dentro de um botão, e que deveria ser igualmente bela e infeliz, cortou uma d e suas pétalas num e spinho, ao nascer.A florinha nem ligou e vivia muito feliz com sua pétala partida. Ela não doía. Era uma pétala macia. Era amiga.
Até que ela começou a notar que as outras flores a olhavam com olhos espantados. E percebeu, então, que era diferente.
- Por que é que as outras flores me olh am assim, papai, com tanto espanto, olhos tão fixos na minha pétala...?
- Por que será? Que é que você acha?, perguntou o pai.
Na verdade, ele bem sabia de tudo. Mas ele não queria dizer. Queria que a florinha tivesse coragem para olhar para as vaidosas e amar a sua pétala.
- Acho que é porque eu sou meio esquisita..., a florinha respondeu.
E ela foi ficando triste, triste... Não por causa da sua pétala rachada, mas por causa dos olhos das outras flores.
- Já estou cansada de explicar. Eu nasci ass im... Mas elas perguntam, perguntam, perguntam...
Até que ela chorou. Coisa que nunca tinha acontecido com as flores belas e infelizes.
A terra levou um susto quando sentiu o pingo de uma lágrima quente, porque as outras flores não choravam. E ela chamou a árvore e lhe contou baixinho:
- A florinha está chorando. E a terra chorou também. A árvore chamou os pássaros e lhes contou o que estava acontecendo. E, enquanto falava, foi murchando, esticando seus galhos num longo lamento, e continua a chorar até hoje, à beira dos rios e dos lagos, aquela árvore triste que tem o nome de chorão. E das pontas dos seus galhos correram as lágrimas que se transformaram num fiozinho de água...Os pássaros voaram até as nuvens.
- Nuvens, a florinha está chorando. E choraram lágrimas que se transformaram em pingos de chuva... As nuvens choraram também, juntando-se aos pássaros numa chuva enorme, choro do céu. As lágrimas das nuvens molharam as camisolas dos anjinhos que brincavam no céu macio.
E quiseram saber o que estava acontecendo. E quando souberam que a florinha estava chorando, choraram também... E Deus, que era uma flor, começou a chorar também.
E a sua dor foi tão grande que, devagarinho, como se fosse espinho, ela foi cortando uma de suas pétalas. E Deus ficou tal e qual a florinha.
E aquele choro todo, da terra, das árvores, dos pássaros, dos anjos, de Deus, virou chuva, como nunca havia caído.
O sol, sempre amigo e brincalhão, não agüentou ver tanta tristeza. Chorou também. E a sua boca triste virou o arco-íris...
E as chuvas viraram rios e os rios viraram mares. Nos rios nasceram peixes pequenos.
Nos mares apareceram os peixes grandes.
A florinha abriu os olhos e se espantou com todo aquele reboliço. Nunca pensou que fosse tão querida. E a sua tristeza foi virando, lá dentro, uma espécie de cócega no coração, e sua boca se entortou para cima, num riso gostoso...
E foi então que aconteceu o milagre.
As flores belas e infelizes não tinham perfume, porque nunca riam.
Quando a florinha sorriu, pela primeira vez, o perfume bom da flor apareceu.
O perfume é o sorriso da flor. E o perfume foi chamando bichos e mais bichos...
Vieram as abelhas... Vieram os beija-flores... Vieram as borboletas... Vieram as crianças.
Um a um, beijaram a única flor perfumada, a flor que sabia sorrir.
E sentiram, pela primeira vez, que a florinha, lá dentro do seu sorriso, era doce, virava mel...
Esta é a estória do nascimento da alegria. De como a tristeza saiu do choro, do choro surgiu o riso e o riso virou perfume.A florinha não se esqueceu de sua pétala partida.
Só que, deste dia em diante, ela não mais sofria ao olhar para ela, mas a agradava, como boa amiga. Quanto aos regadores dos anjos, nunca mais foram usados.
De vez em quando, olhando para as nuvens, a gente vê um deles, guardado lá dentro, já velho e coberto de teias de aranha...
Enquanto a florinha de pétala partida estiver neste mundo, a chuva continuará a cair e o brinquedo de roda em volta do seu sorriso e do seu perfume não terá fim ..

Texto disponível em:

http://contandoradehistorias.blogspot.com/2008_01_01_archive.html

 

 
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11 dezembro 2012

Isabel Cristina McEvilly: Uma visão para o Brasil (Portuguese)

Faz muito mais de tres meses, que estamos com esse depoimento da Isabel para divulgar aqui no Blog. Andamos buscando fotos atualizadas dela, para mostrar às pessoas quem era essa incrível pessoa. Havia a questão de editar o texto e mudar algumas coisas, porque a Isabel escreveu-nos com alguns vícios da língua inglesa, tendo em vista que está há tantos anos nos EUA. E agora encontramos o texto e as fotos, publicados por Scott Rains. Então, melhor ainda. Isabel demonstra claramente a realidade da convivência de uma pessoa com deficiência neste Brasil, ainda tão carente de informações, educação e respeito.
Nosso mais que carinhoso abraço e congratulações à Isabel.


By Scott Rains on December 11, 2012 7:06 PM
Por Isabel Cristina McEvilly:


 
 
Depois de ler o documento da apresentação do Scott Rains, fiquei com esperanças de que realmente as coisas possam melhorar no Brasil,mas na minha opinião as leis deveriam ser mudadas e respeitadas antes mesmo de se começar a construir ou reconstruir acessos para portadores de deficiência.Leis que antes de serem aprovadas ao léu deveriam ser melhor examinadas.
Se voce não leu o que o Scott Rains disse na reunião dos lideres com deficiencias no estado de Ceara organizador pela ONG Arte Pensamento em 2012 você deveria aqui: [ The Legacy of Copa 2014 and the Rio 2016 Olympics for Brazil. ]
Bom, vou falar um pouco da minha história para que vocês entendam a que me refiro.
 
 
 
Comecei a desenvolver minha deficiência quando tinha 4 anos. Tive três diferentes diagnósticos: Poliomielite, Charcot Marie Tooth e um terceiro diagnóstico que já não me lembro mais o nome,mas a maior parte de minha vida ouvi dizer que havia tido polio.
Aos 13 anos minha mãe faleceu decorrente de um câncer de mama( breast cancer).Meu pai, hoje também falecido, tinha mais preocupações com bebidas e mulheres do que com as duas filhas que ele tinha.Acredito que somente quem tem um pai alcoólatra sabe o quanto é difícil, mas não quero me aprofundar nesta parte.
Eu e minha irmã sempre fomos muito amigas, isso era uma coisa que minha mãe estava sempre nos falando, que éramos mais do que melhores amigas, éramos irmãs.Quando minha mãe faleceu, minha irmã e eu nos tornamos ainda mais unidas.
Minha avó materna tentou trazer-nos para cá ( Estados Unidos), mas ela acabou morrendo dois anos depois da morte de minha mãe.Um motorista bêbado causou o acidente que tirou a vida de minha avó e também de uma de minhas tias.
Quando tinha aproximadamente 17 anos, uma tia foi ao Brasil e tentou trazer-nos, mas o consulado negou e somente uma de nós poderia vir. Como estava em tratamento para tentar uma cirurgia, fiquei e experimentei novamente a dor da perda, pois ja não teria mais minha irmã perto de mim.Não era fácil ouvir as pessoas dizerem que eu era diferente, eu adorava dançar e não via minha deficiência, mas depois de tanto me apontarem a deficiência como algo que deveria ter vergonha, parei de dançar.
Por mudar de uma casa para outra, minha irmã e eu ja havíamos perdido alguns anos de escola e com os acontecimentos e minha rebeldia juvenil para chamar a atenção das pessoas, eu parei de estudar e fiz isso por muitos anos.Trabalhava com meu pai no bar que ele e minha mãe haviam conseguido com muito esforço.
Com o passar dos anos eu queria voltar para escola, mas tinha vergonha, pois estava "velha" para isso.
Meu pai, acabou vendendo o bar e quando foi fazer uma nova compra, ele levou um golpe. Perdeu todo o dinheiro que tinhamos.
Precisava agora arrumar um emprego e por mais que tentasse não conseguia, pois não tinha experiência ou mesmo estudos.
Coloquei minha vergonha de lado e fui fazer o supletivo,mas não era fácil,principalmente porque a escola tinha escadas e não havia corrimão.Fui pedir para a diretora instalar e o que ouvi foi que a escola não tinha verbas e que eu poderia usar a escada do meio que era apenas para os professores.
Nessa época eu pagava ônibus e dava meu lugar para idosos e gestantes, ficava em filas, não usava nenhum dos meus direitos.
Foi quando um grupo de estudantes da USP começaram a ir na escola, não me lembro o que levaram eles até lá, mas lembro que estava conversando com um dos rapazes do grupo e ele me disse que admirava todas as pessoas que voltavam a estudar, cada um tinha um motivo diferente por ter abandonado os estudos, mas retornar era sinômino de coragem e que no meu caso ele estava realmente admirado por causa da deficiência. Nesse mesmo momento soube que um dos professores me admirava muito pelo mesmo motivo. Voltar a estudar depois de anos exigia coragem, mas ter ainda que passar pelos obstáculos da deficiência, eu era realmente um exemplo.
Depois de ouvir minha vida inteira de que eu não era capaz, de que não conseguiria, que não era perfeita, que eu era bonita e o problema era só os meus pés.Aquelas palavras me deram uma força que havia esquecido possuí- la.Coragem que me levou a ir de classe em classe e pedir para que os alunos assinassem o meu abaixo- assinado, requerindo corrimãos para as duas escadas laterais, para o meu benefício e de todos os outros portadores de deficiência física, mas também para aqueles que tivessem o pé quebrado e os mais velhos que também estavam ali para estudar.Não foi preciso mandar o abaixo-assinado para Secretaria da Educacão, a escola instalou os corrimãos.
Terminara o colegial, mas ninguém me dava emprego, " não tinha experiência".
Fui então para secretaria do trabalho, lá fui encaminhada para o departamento responsável para portadores de deficiência.Conheci a Thais, que é fonoaudióloga e ela me explicou mais sobre os direitos das pessoas portadoras de deficiência e que não deveira me sentir mal por usá- las.

Fui ao banco com uma de minhas priminhas e resolvi seguir o conselho da Thais, estava na fila e escutei um homem gritando que as pessoas não têm vergonha na cara, gente nova com saúde...Veio a gerente e perguntou para uma senhora quantos anos ela tinha, a pobre mulher mostrou o RG, a que estava na minha frente disse que estava de 3 meses de gestacão e ela então me perguntou o porquê de eu estar na fila e eu lhe disse. Chegou a minha vez de ir ao caixa, a moça não olhou pra mim, se virou e disse ao seu colega ao lado: - Olha que falta de vergonha! Cheguei ao caixa e ela me disse: - Você sabe que esta fila é para idosos e gestantes! E eu perguntei a ela se não era também para deficientes.Ela sem graça disse que sim, então perdi a minha paciência, alterei minha voz e lhe disse: - Se voce tivesse olhado pra mim, teria visto que ando diferente de você,mas com certeza se eu fosse tentar namorar alguém na sua família voce iria ver a minha deficiência antes mesmo de me ver.

 
Já no onibus, teve um motorista que ficou esperando eu descer do ônibus e começar a caminhar para parar de me olhar com ar de suspeita. Um outro que assim que viu que eu ia entrar pela porta da frente comecou a dirigir o onibus e foi o cobrador que gritou: -Para o ônibus, a moca é aleijada. Um senhor entrou no ônibus e começou a me insultar, pois estava no lugar que era dele. Então aí veio a lei: certo número de empregados tem que ter certo número de deficientes,meio maluco isso, mas fui lá "tirar proveito". " Mas você precisa de alguma adaptacão? Sabe o que é, a vaga foi preenchida esta manhã."
Bom, aí vem mais uma vez Deus me dizer que sou forte e sou capaz. Tivemos uma reunião, a Thais, a diretora, outros deficientes que também estavam procurando empregos (uns com diplomas de faculdade e experiência) e eu é claro. No dia seguinte a Thais me pediu pra ir até lá. Começamos a conversar e ela me disse que havia uma vaga para recepcionista, não pagavam muito, mas seria um começo e que eu me daria bem lá, pois teria contato com crianças( o que eu amo) e seria apenas para começar. Então ela me disse que não sabia o que estava acontecendo comigo, pois a diretora que estava na reunião conosco lhe disse que eu não falava muito, mas meus olhos sim falam muito,mas o que mais a havia impressionado foi que apesar de não falar muito, quando abria minha boca falava de forma correta,o que os outros que estavam ali com diploma não o fizeram. Sai de lá e fui para minha entrevista, claro que consegui o emprego. Alguém tinha acabado de me dizer que eu era boa, pelo menos no meu português.
Nesse emprego, era a recepcionista, a amiga e a conselheira de todos. Bom, muitos de vocês conhecem esse lugar, é a Expansão. Lá conheci algumas pessoas que me indicaram outras pessoas ou lugares e quando fui ver estava envolvida com Magic Hands, CMPD e o pessoal da Saga Natacão.
Tenho muitas histórias boas da Expansão, mas uma vou contar agora.
Uma mãe veio me contar que estava triste pois a AACD havia dito que o filho não poderia mais ir para escola ,pois ele não tinha mais capacidade de aprendizado. A mãe disse a ele e o pobre menino ficou super triste, pois ele queria ir pra escola como seu irmão. Entrei em contato com alguns dos meus novos amigos e me disseram para falar para essa mãe que ela deveria ligar para associação e dizer que se eles nao aceitassem o menino, ela iria com o advogado até o tribunal de justiça e abrir uma ação contra eles. A mãe me ligou depois de alguns dias para dizer que eles ligaram para ela e disseram que foi tudo um mal entendido e o menino poderia sim frequentar a escola.
Agora já nas reunioes do CMPD tem três histórias que gostaria de contar. Essas ficaram marcadas em minha memória. Não me lembro mais o nome das pessoas, mas me lembro dos incidentes.
A primeira foi de um rapaz que é deficiente e que precisando de ajuda para descer as escadas do metrô pede ajuda aos funcionários. Quando esses chegaram perto do cadeirante,um dos funcionarios disse:
- Por que voce não se jogou? Era menos trabalho. Já a segunda também envolvendo o pessoal do metrô, foi com uma uma deficiente visual e o rapaz que a conduzia disse a ela: - Você deveria ficar era em casa. O terceiro caso foi uma pessoa que sendo deficiente visual não percebeu que a rampa já havia terminado e foi puxado por uma pessoa antes que o carro o atropelasse.
Aonde eu quero chegar com minhas histórias? Nao é apenas construir ou reconstruir estádios, hotéis, cinemas, teatros,além disso é preciso ter conhecimento do que e como estão sendo feitas essas obras. Arquitetos, engenheiros e pedreiros, antes de começarem qualquer coisa devem ouvir os deficientes , visuais, auditivos, os amputados , cadeirantes, os que usam muletas, órteses, os que tem atrites, todas as pessoas que tem algum tipo de dificuldade motora devem ser ouvidas e também os idosos. Uma das coisas mais estúpidas que eu achava era a luz de estacionamento com alerta sonoro dos prédios para avisar que os carros estão saindo, mas me diga como um deficiente visual perceberia os carros?
O Brasil precisa sim de reformas arquitetônicas urgentes,mas precisa também de educação e não estou me referindo apenas a escolar. Respeitar e aceitar as diferenças! É preciso começar já a educar os funcionários públicos, termos ônibus adaptados com motoristas e também adaptados a serem gentis, educados e prestativos. O governo dá vagas de empregos, otimo! Mas as escolas não estão adaptadas para que as crianças deficientes frequentem a mesma. A vaga de emprego está aberta, agora o governo também está dando bolsas de estudos,mas como o deficiente irá para a faculdade se nao tem ônibus adaptados?

Eu cheguei a prestar faculdades aí no Brasil e na USP.A minha pontuação foi melhor do que de uns primos meus mais novos e que haviam estudado em melhores escolas, mas nenhum de nós conseguiu entrar. Depois consegui passar numa faculdade que oferecia o curso de filosofia gratuíto, ja que o de matemática eu não poderia pagar,mas não era o que eu queria.
Estavam oferecendo inscrições gratuítas na UNIP e minha colega de trabalho não queria ir, então pedi pra ela e ela foi. Chegou em casa a carta da faculdade dizendo que havia passado, chorei muito de alegria pois havia passado para o curso de Direito sem a "bolsa", mas chorei ainda mais, pois não ganhava o suficiente para pagar as mensalidades. Já havia passado o prazo de inscrição, quando comentei o acontecido com o Rui Biachi, ele me disse que se eu tivesse lhe dito a tempo ele teria me ajudado com as mensalidades e que nós deficientes precisamos de pessoas como eu.Ele realmente estava disposto a me ajudar, mas não poderia aceitar.
O que infelizmente descobri é que entre nós os deficientes , somos muito os poucos que realmente nos importamos com os problemas das pessoas. Conheci muitos deficientes ricos ou com algum poder que jamais fizeram algo em prol do próximo e sim tudo o que fizeram era para benefício próprio. Por que estou escrevendo isto? Porque não adianta dizer que tem um deficiente a frente das questões, se esse deficiente não for uma pessoa íntegra e honesta. Sendo assim deficientes e "normais" deveriam juntos mudar o Brasil para que possamos fazer bonito na Copa e nas Olimpíadas,mas principalmente no dia-a-dia.
 

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