25 Maio 2012

Boa forma mental na meia idade e além


Não faz muito tempo que era senso comum pensar que uma pessoa era produtiva somente até os 40 anos de idade, como se a capacidade intelectual, criatividade e inovação tivessem prazo de validade. Da mesma forma, acreditava-se que os neurônios simplesmente morriam sem serem renovados, ou que a capacidade de aprendizado era perdida ao longo dos anos.

                   Eric R.Kandel neurocientita - premio nobel - estudos sobre a memória
É claro que algumas habilidades diminuem quando se envelhece, mas algumas pessoas são melhores em retardar essas perdas do que outras. E pesquisadores querem entender o porquê. Por que seu vizinho de 70 anos consegue ter uma memória igual à de uma pessoa com metade dessa idade, enquanto seu parente de 40 anos tem a memória de um idoso?

De acordo com pesquisas recentes, um elemento essencial para a boa forma mental já foi identificado. A educação parece ser um elixir que pode proporcionar mente e corpo saudáveis ao longo da vida adulta e também uma vida mais longa. Para aqueles que estão na meia idade ou além, um diploma de faculdade parece retardar o processo de envelhecimento cerebral em até uma década.

Essa é uma das descobertas de um estudo enorme que está sendo conduzido nos EUA desde os anos 90, chamado de MIDUS (sigla para Meia Idade nos Estados Unidos). O que torna esse estudo particularmente valioso é que os pesquisadores podem rastrear a mesma pessoa por um longo período de tempo para ver quais habilidades estão piorando e quais estão melhorando.

Muitos pesquisadores acreditam que a inteligência humana consiste em dúzias de habilidades cognitivas variadas, as quais eles geralmente dividem em duas categorias: inteligência fluida e inteligência cristalizada.

As habilidades que caem na categoria de “inteligência fluida” são aquelas que produzem soluções não baseadas em experiência, como reconhecimento de padrões, memória de trabalho e raciocínio abstrato, justamente o tipo de inteligência avaliada nos testes de QI. Essas habilidades tendem atingir seu pico entre os 20 e 30 anos de idade.

Por outro lado, a “inteligência cristalizada” geralmente se refere às habilidades que são adquiridas através da experiência e educação, como habilidade verbal, raciocínio indutivo e julgamento. Enquanto a inteligência fluida é por muitos considerada principalmente um produto da genética, a inteligência cristalizada é mais dependente de influências diversas, como personalidade, motivação, oportunidade e cultura.

Num estudo publicado nos últimos anos, pesquisadores provaram que, quando se trata de sabedoria, a experiência pode ser mais importante que a biologia, principalmente na resolução de conflitos e dilemas sociais. Eles descobriram que, apesar da queda na inteligência fluida, raciocínios complicados que envolvem pessoas, questões morais ou instituições políticas melhoram com a idade.

Voltando ao estudo MIDUS, os pesquisadores queriam saber se algo podia ser feito para frear esse aparentemente contínuo declínio da inteligência fluida ao longo dos anos. Então eles desenvolveram diversos testes de memória, cálculo e raciocínio que poderiam ser aplicados nos milhares de participantes.

Como previsto, pessoas com mais de 50 anos tiveram um pior desempenho nos testes de memória e velocidade de raciocínio do que pessoas mais jovens. O cérebro envelhecido era mais facilmente distraído e mais lento em resgatar informações. Mulheres geralmente eram melhores que os homens no teste de lembrar uma lista de palavras, enquanto que os homens eram melhores em encontrar padrões numéricos e reagir rapidamente a alterações de instruções.

Os mais consistentes resultados envolviam a educação. Igualando todos os demais fatores, quanto mais anos de escola um indivíduo tinha, melhor ele ou ela desempenhava em todos os testes mentais. Até os 75 anos de idade, os indivíduos com diploma de ensino superior conseguiam um desempenho em tarefas complexas igual a indivíduos dez anos mais jovens com menos educação. Além disso, a educação estava associada a uma vida mais longa e a um menor risco de demência.

Numa outra análise, os pesquisadores descobriram que os indivíduos podiam compensar as desvantagens educacionais. Todos os que regularmente desafiavam seus cérebros – lendo, escrevendo, assistindo palestras ou fazendo jogos – tinham um melhor desempenho em inteligência fluida do que aqueles pouco adeptos a desafiar o cérebro.

O treinamento mental regular pode realmente alterar os circuitos neurais do cérebro em qualquer idade, estimulando regiões do cérebro responsáveis por habilidades como memória, aprendizado e tomada de decisão.

Em ainda outra análise, os pesquisadores mostraram que adultos, particularmente os homens, com baixo nível de educação podiam também melhorar o desempenho mental simplesmente usando um computador.

Quando a equipe do MIDUS reuniu todos os dados, eles notaram outras semelhanças entre os indivíduos com fortes habilidades cognitivas. Idosos que desempenhavam tão bem quanto jovens adultos em inteligência fluida costumavam compartilhar, além de um diploma de ensino superior e a prática regular de exercícios mentais, as seguintes características:

    Eles faziam exercícios físicos frequentemente;

    Eles eram socialmente ativos, vendo amigos e familiares, voluntariando e participando de reuniões frequentemente;

    Eles eram melhores em se manter calmos diante de situações estressantes;

    Eles se sentiam mais em controle das suas vidas.

Numa época em que a perspectiva de uma vida mais longa é atormentada pelo medo do declínio mental, a possibilidade de termos algum controle sobre esse declínio com uma boa forma mental é reconfortante.

Acessado em 25.05.2012


07 Maio 2012

Super Cérebro

Um vídeo que compreendido tanto do ponto de vista familiar, como sócio-político, confirma a importância do cuidado que damos às nossas crianças.

Neste século, em que a procura pelo super-cérebro continua sendo a primazia dos estudos em vários países, vale a pena conferir, o que é mais básico para as nossas crianças.



"Este vídeo de animação dura apenas três minutos, mas traz informações que valem por toda uma vida. Produzido pelo Center on the Developing Child (CDC) da Universidade de Harvard, tem o objetivo de explicar como as experiências na Primeira Infância podem afetar a formação do cérebro da criança.O vídeo é rápido, fácil de compreender e vai diretamente ao ponto.

É um exemplo de "tradução" de conhecimento científico para uma linguagem acessível a todos, que é feita pelo CDC, nos Estados Unidos, e agora será feita também pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, por meio da parceria com o CDC de Harvard, com a David Rockfeller Center for Latin American Studies, com a Faculdade de Medicina da USP e com o Instituto de Educação e Pesquisa Insper.

Não deixe de ver Super-Cérebro. Vale a pena!

Adaptação e tradução para o português realizadas pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal."




19 Abril 2012

Memória: Cientistas descobrem mecanismos cerebrais que nos fazem lembrar e esquecer

A memória é a capacidade de adquirir, armazenar e recuperar (evocar) informações disponíveis.

O conjunto de experiências armazenadas na mente de um ser humano é essencial para a identidade de cada um.
A memória focaliza coisas específicas, requer grande quantidade de energia mental e deteriora-se com a idade.
É um processo que conecta pedaços de memória e conhecimentos a fim de gerar novas idéias, ajudando a tomar decisões diárias.
Os neurocientistas (psiquiatras, psicólogos e neurologistas) distinguem memória declarativa e memória não-declarativa.
A facilidade com que uma pessoa acessa a memória é vital para intepretar o mundo que estã ao seu redor, assim como tomar decisões.
O cérebro humano pesa aproximadamente um quilo e meio e tem 100 bilhões de neurônios que se comunicam através de sinapses (através dessas estruturas os neuronios se comunicam uns com outros por impulsos químicos e eletricos).


Existem trilhões de sinapses (veja acima uma) e, a cada vez que há um novo estímulo do ambiente (um passeio), as sinapses forma determinados padrões de comunicação entre neurônios de diferentes partes do cérebro.

http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/sala_de_aula/biologia/imagens/neuronio.jpg

http://scienceblogs.com.br/rnam/neuronio.JPG

Algumas redes de células ORGANIZAM estas informações e comparam-nas com outras já armazenadas.
Estas experiências são selecionadas, de acordo com sua importância, necessidade, ou mesmo emoção que é evocada ao ocorrer para serem esquecidas ou armazenadas. O arquivo das memórias pode ser feito por horas, dias, meses, anos ou simplesmente apagar.


E apagar o que é inútil é fundamental, para que o cérebro humano funcione corretamente.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em santa Bárbara conseguiram verificar como a destruição e proodução de proteínas no interior das células nervosas cria novas lembranças e modifica as já existentes.
Este estudo confirma a idéia de que não existe memória fixa, imutável, segundo Rosalina Fonseca, neurocienteista do Instituto Gulbenkian de Ciência em Portugal e autora do trabalho que serviu de base para os estudiosos americanos.


Uma interessante analogia para explicarar o estudo acima e "comparar a memória a uma casa em constante reforma, cujas proteínas são tijolos". Esta obra sem fim precisa de mais de 100 substâncias químicas (neurotransmissores e receptores de hormônios e pode ser a chave para a cura (ou tratamento) de muitas doenças psiquiátricas e neurológicas.

Segundo o neurocientista americano Sam Wang, da Universidade de Princeton, os prinicipais avanços no tratamento de doenças mentais e neurológicas, são esperados através de recentes descobertas do mecanismo de formação de diferentes tipos de memórias em regiões diferentes do cérebro.
Conforme Eric Kandel, 80 anos prêmio Nobel em Medicina em 2000, nascido na Áustria, que tinha interesse em descobrir a localização cerebral do ego, id e superego (Estruturas do Funcionamento Psiquico elaboradas e elucidadas, pelo médico Neurologista Sigumund Freud, pai da psicanálise) a memorização ocorre em 2 estágios:
Curto Prazo - Lembrar-se da saída do dia de ontem
Longo Prazo - Lembrar-se de uma festa há 2 anos.

Tipos de Memória:

  • Explícita (ou Declarativa) - pode ser descrita em palavras e é evocada de maneira consciente, como a lembrança do primeiro beijo.
  • Implícita - refere-se a conhecimentos, hábitos e habilidades que são evocados de maneira automática (por exemplo entender este texto sem ter que recorrer à gramática para cada frase), andar de bicicleta.
  • Memória de Trabalho - necessária para realização de tarefas, como guardar um número de telefone antes de discá-lo (semelhante à memoria RAM (Random Acess Memory) de um computador.
  • Memória Sensorial - processa dados associados aos sentidos como olfato, visão e audição.
  • Memória de Reconhecimento - usa vários aspectos diferentes da memória sensorial para reter nomes, fisionomias e ojbetos.
  • Memória de Conhecimento - geralmente de longo prazo, guarada fatos e informaçãoes aprendidos no trabalho ou escola.
  • Memória de Procedimento - Absorve instruções para tarefas condicionadas (dirigir, desviar com segurança de um obstáculo).
Eric Kandel, ganhou o Nobel de Medicina em 2000 ao provar que Terapias alteram a neuroquímica do cérebro e na reportagem da revista Veja citada na bibliografia abaixo afirma que as novas descobertas sobre o funcionamento da memória ainda estamos engatinhando e que, talvez, daqui a 100 anos, o funcionamento do cérebro será totalmente conhecido. Kandel trabalha na Universidade de Colúmbia, Estados Unidos.
Segundo Kandel, ainda, a Psicanálise não está ameaçada pelas descobertas das Neurociências.
Há alguns estudiosos analisando imagens de cérebros de pessoas com transtornos mentais e tentando descobrir como elas são revertidas com a psicoterapia.

Já há estudos mostrando como a psicoterapia ou a psicanálise conseguem reverter, em alguns casos, anomalias cerebrais em depressões, transtorno obsessivo compulsivo e neuroses.

Os resultados são bons quando o terapeuta, além de tentar entender o que motiva o paciente a agir de certa maneira passa aincentivá-lo a mudar seu comportamento presente.
Ou seja, faz um tratamento mais voltado para o aqui e agora. Os estudos de neuroimagem mostram que esse é um método bastante eficaz em certos casos.
Para o Português Antônio Damásio, um dos neurocientistas mais respeitados da atualidade, de 65 anos, que leciona na Universidade do Sul da Califórnia (Los Angeles), "Não existe memória sem emoção".
Segundo Damásio, a emoção modula constantemente a forma como os dados e os acontecimentos são armazenados na memória. Isto se dá, principalmente em relação à memória para pessoas e para suas qualidades ou características.
Grande parte de nossas decisões é feita de modo automático, ou inconsciente. Esse processo é comandado pelo valor atribuído às experiências passadas.
Para pessoas que despertam boas emoções em alguém, ao encontrá-la a memória é revivida de forma positiva em dois aspectos:
  • Cognitivo: Saber quem é a pessoa ("Cognecere"=conhecer)
  • Emocional: É alguem de quem se gosta
Não há, portanto, memória, ou tomada de decisão sem emoção.
O ser humano, ao contrário dos outros mamíferios têm a memória mais abrangente (além de saberem quem são, quem são os pais), a linguagem (capacidade de Codificar as memórias não verbais em verbais) amplifica enormemente tudo o que o ser humano é capaz de memorizar.
A grande força motora da Criatividade é a imaginação (manipulação de imagens: visuais, auditivas, táteis ou olfativas), que dependem das imagens captadas por um sujeito em determinado momento, assim como das informações que foram gravadas nos circuitos nervosos, onde, com ajuda da emoção, foram organizadas com determinadas categorias.
Um grande artista ou inventor é alguém que consegue usar a emoção para manipular essas imagens visuais, auditivas, táteis ou olfativas de modo muito rico."
Bibiliografia:
Lent, Roberto. Cem bilhões de neurônios: conceitos fundamentais de neurociência. SP, Atheneu,2004

Lent, Roberto (Ed.). As ciências do cérebro. Numero especial da Rev. Ciência Hoje, v16/ nº 94, Rio de Janeiro, setembro-outubro de 1993




  Kandel: Em Busca da Memória - Livraria Cultura, 2009, em portugues.







  Malloy, Cosenza - Neuropsicologia: Teoria e prática. Artmed 2008.










Revista Veja, ediçao 2147, ano 43, no 2- 13 de janeiro de 2010 http://veja.abril.com.br/130110/conquista-memoria-p-078.shtml

Acessado em 19.04.2012

05 Abril 2012

Estudo usa ressonância magnética para traçar 'estradas' cerebrais

RAFAEL GARCIADE WASHINGTON

video


O mapeamento por ressonância magnética mais preciso já feito até hoje em um crânio humano foi capaz de enxergar as fibras nervosas por onde os neurônios transmitem seus impulsos de um canto para outro do cérebro. Aquilo que poderia ser um emaranhado de alta complexidade, porém, revelou-se algo altamente organizado.
É como se, em vez das vielas e ladeiras do centro de São Paulo, o cérebro tivesse avenidas planejadas, como as de Brasília, por exemplo.
Em um estudo publicado hoje na revista "Science", cientistas descrevem pela primeira vez a estrutura que viram no cérebro de humanos e de algumas espécies de macacos. Os padrões humano e símio eram muito similares.
A máquina que permitiu enxergar detalhes da ordem de um milímetro dentro do cérebro (uma resolução dez vezes melhor que a de equipamentos de um bom hospital) foi produzida por cientistas do Hospital Geral de Massachusetts em conjunto com a empresa alemã Siemens. A tecnologia usada foi um aprimoramento de um tipo de ressonância magnética.





O estudo sobre os primeiros resultados obtidos com a nova tecnologia foi liderado por Van Wedeen, cientista da Escola Médica de Harvard. Segundo ele, o fato de as fibras cerebrais se organizarem de modo relativamente simples não significa que não haja um padrão complexo nas conexões entre neurônios. Essas células individuais, porém, ainda não podem ser vistas por uma técnica não invasiva como a ressonância.
"A real conectividade é mais complexa do que a grade de fibras que estamos vendo agora, mas não sabemos o quão mais complexa", disse o pesquisador à Folha.
Uma boa parte do dinheiro para a pesquisa saiu do Programa Conectoma Humano, cujo objetivo é criar tecnologias de imagem cerebral não invasivas e capazes de enxergar padrões cerebrais úteis para a psiquiatria. Não é uma tarefa simples, e ainda está longe de se mostrar viável, reconhece Wedeen.
"Cientistas com uma boa máquina de ressonância magnética funcional hoje conseguem diferenciar uma população de pessoas deprimidas de uma população de pessoas não deprimidas, mas isso depende de estatística", explica. "Ainda não é possível diferenciar um indivíduo com depressão de um indivíduo sem o transtorno."
Para compensar a imprecisão, o Projeto Conectoma também busca analisar com mais detalhes a estrutura do cérebro humano e relacioná-la com a influência que diferenças no DNA das pessoas exercem sobre o órgão.
Para Wedeen, o projeto é uma aposta "arriscada", porque ninguém sabe se o conhecimento adquirido será confiável o suficiente para uso clínico. Mas o novo trabalho dá um passo nessa direção.

In: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1069460-estudo-usa-ressonancia-magnetica-para-tracar-estradas-cerebrais.shtml acessado dia 05.04.2012



04 Abril 2012

A importância do movimento para a aprendizagem

Os caminhos que percorremos como terapeutas ocupacionais, nos levam a vislumbrar oportunidades de crescimento continuado.

Actualmente trabalho em um espaço terapêutico onde se utiliza o método Brain Gym, desenvolvido por Dr. Paul Dennison e Gail E. Dennison, para tratar de crianças com distúrbios de aprendizagem, autismo, hiperactividade, deficit de aprendizagens, deficit sensoriais, lesões neuromotoras, etc.




A título de fortalecer os conhecimentos e estabelecer conexões científicas, resolvi reler o livro “Smart Moves, Why Learning is not All in Your Head” de Carla Hannaford, Ph.D. Great Ocean Publishers, Arlington, Virginia, 1995, e surpreendi-me por observar, que boa parte das recomendações da autora, ainda estão patentes e são necessárias de serem mais uma vez divulgadas. Vou transcrever, alguns trechos que traduzi, e que destaco, por sua importância nos dias de hoje, em que as crianças, jovens, adultos e idosos passam boa parte do seu tempo, frente a TV, ou em computadores, ou realizando actividades de leitura e escrita em perspectiva bidimensional e fisicamente com baixa quantidade de mobilidade, ou seja em sedentarismo.

“ Mais movimento, mais aprendizagem” (capítulo 6, paginas. 101-102)

É essencial para o processo de aprendizagem que permitamos às crianças explorarem cada aspecto do movimento e de equilíbrio no seu ambiente, como andar sobre cubos, subir numa árvore, ou pular sob obstáculos, ou mesmo pular sobre alguns móveis, escadas, plataformas, rampas, declives, etc.

Uma mãe indígena contou-me que quando ela era uma criança, ela e outras crianças, podiam explorar a tenda central desde de manhã até o fim do pôr-do-sol. Nem ela, ou qualquer criança, nuca tinham se machucado seriamente nessa aventura, e ela sentia que isso foi essencial para seu total processo de aprendizagem. Todavia, com a actual percepção de o mundo é um espaço perigoso para crianças, ela jamais permitiu seus filhos ir para a tenda. Sem a tenda central para explorar, seus filhos fizeram da Televisão seu passatempo predilecto. Ela admite que seus filhos têm movimentos alterados de equilíbrio e mobilidade de cabeça. Ela pensa que isso pode também estar relacionado com as dificuldades de aprendizagem que eles possuem, especialmente ler e escrever, que agora eles estão experienciando na escola.

Em um estudo com mais de 500 crianças Canadianas, os estudantes que despendiam uma hora extra cada dia em classe de ginástica, apresentavam notavelmente melhores resultados nos exames, do que as crianças menos activas. Similarmente, homens e mulheres aos 50 e 60 anos, que são estimulados para realizarem um programa de aeróbica, com um regular caminhada ao ar livre, por quatro meses, aumentaram sua performance em testes mentais na ordem de 10%.

Observando-se mais atentamente, 13 diferentes estudos em relacionados com exercício/ e link de poder cerebral, o exercício físico foi considerado como o factor de crescimento e desenvolvimento do cérebro e como preventivo da deterioração de cérebros mais velhos.

Segundo Hannaford, muitos estudos na década de 90, foram responsáveis por explicar como os movimentos directamente beneficiam o Sistema Nervo Central. Actividades musculares, particularmente movimentos coordenados, são responsáveis por estimular a produção de neurotransmissores, substâncias essas que estimulam o crescimento de células nervosas, e também aumentam o número de conexões no cérebro. Estudos com animais também confirmavam esse link.

Num estudo na Universidade da Califórnia, a neurocientista Carl Cotman verificou que os ratos que corriam em rodas tinham mais neurotróficos que os ratos sedentários. Em outro experimento feito pelo neurocientista Willian Grenogh na Universidade de Illinois, os ratos que tornavam-se proficientes em precisão e movimentos coordenados necessários para agilmente correrem através de pontes de metal e cordas, tinham um número muito maior de conexões entre os neurónios do cérebro do que os ratos sedentários, ou aqueles que meramente corriam em automáticas rodas. “


Vamos agora assistir a um vídeo com Paul Dennisom, que demostra algumas técnicas do uso dos dois hemisférios, uma prática comum ao Bain Gym. Se você quiser, tente fazer junto.



IN: http://gimarte.blogspot.com.br/ Acessado dia 04.04.2012

30 Março 2012

Como avaliar uma notícia científica

Mais do que nunca, é preciso antes de divulgar, conhecer o rigor científico, das chamadas pesquisas e resultados científicos, nesta comunidade em que compartilhanos notícias sobre educação e saúde

Como avaliar uma notícia científica
Este folheto é para as pessoas que acompanham na mídia as discussões na área médica e científica em geral. Ele explica como os cientistas apresentam e avaliam as pesquisas e como os leigos podem se informar melhor sobre as notícias científicas veiculadas.
Este texto foi traduzido para o português.
O Original pode ser lido no site do SENSE ABOUT SENSE através dos links:


Resumo
  • A área científica possui um sistema para avaliar a qualidade das pesquisas antes de sua publicação. Esse sistema recebe o nome de “revisão por pares”.
  • A revisão por pares significa que outros especialistas da área avaliam o estudo científico em termos de validade, relevância e originalidade -- além de clareza.
  • Os editores das revistas científicas contam com um grupo grande de especialistas nas mais diversas áreas para analisar minuciosamente os estudos recebidos antes de decidir se publicá-los.
  • Muitas notícias científicas que saem nos jornais e revistas aparecem na internet ou são veiculadas na televisão e no rádio não foram publicadas em periódicos com revisão por pares.
  • Embora algumas dessas pesquisas sejam de fato confiáveis, uma boa parte é falha ou incompleta. Muitas das descobertas divulgadas, como “curas milagrosas” ou “novos perigos”, nunca são comprovadas.
  • A pesquisa que não é publicada não ajuda ninguém. Os cientistas não podem repeti-la ou usá-la, e a sociedade não pode tomar decisões sobre segurança pública – ou sobre a saúde da família, por exemplo -- baseada em estudos que podem ter falhas graves.
  • Portanto, por mais interessantes ou animadores que sejam os resultados de uma nova pesquisa médica ou científica, você deve sempre perguntar...
  • Ela foi avaliada por pares? Se não foi, por que não?
  • Se foi analisada por pares, você pode procurar se informar sobre o que outros cientistas dizem a respeito, sobre o tamanho e a abordagem do estudo e se ele faz parte de um conjunto de evidências que apontam para as mesmas conclusões.
Como avaliar uma notícia científica
                                                     
                                                      

  • Todos os dias somos bombardeados com informações científicas nos jornais, na internet, nos programas de rádio e televisão. Mas nem sempre é fácil julgar o que dizem. Como saber quando a notícia pode ser levada a sério? Como identificar o alarme falso? Às vezes os cientistas parecem fazer declarações conflitantes. Como saber no que devemos acreditar?
  • Existe um sistema usado pelos cientistas para decidir se os resultados de uma pesquisa devem ser publicados numa revista científica. Esse sistema, conhecido como “revisão por pares”, submete os estudos científicos a uma análise independente por parte de outros especialistas qualificados (os chamados “pares”) antes de decidir se devem ser divulgados.
  • A revisão por pares ajuda a julgar uma notícia científica, pois significa que a pesquisa foi examinada por outros pesquisadores e foi considerada válida, relevante e original.
  • A revisão por pares significa que as declarações feitas por cientistas em revistas científicas são criticamente diferentes de outras declarações ou informações, como aquelas veiculadas por políticos, colunistas de jornal ou militantes de uma determinada área. Ciência é muito mais do que uma mera opinião.

Breve explicação sobre a revisão por pares:
  • Quando um pesquisador, ou uma equipe de pesquisadores, termina uma etapa do seu trabalho, geralmente escreve um artigo apresentando seus métodos, resultados e conclusões. Em seguida submete o artigo para publicação em uma revista científica.
  • Se o editor da revista considerar o artigo adequado, ele o envia a outros cientistas que pesquisam e publicam na mesma área, para que eles:
  • comentem sobre a validade do estudo -- os resultados da pesquisa são confiáveis? O desenho e a metodologia são apropriados?
  • avaliem a relevância – o estudo chegou a alguma conclusão importante?• determinem a originalidade – os resultados são novos? O trabalho faz a devida referência a estudos de outros pesquisadores?
  • opinem se o artigo deve ser publicado, melhorado ou recusado (geralmente para ser submetido a outro periódico).
  • Esse sistema recebe o nome de “revisão por pares”. Os cientistas (os “pares”) que avaliam os artigos são chamados de revisores ou pareceristas.
  • Os cientistas nunca tiram conclusões definitivas apenas a partir de um artigo ou um conjunto de resultados. Eles levam em conta a contribuição da pesquisa no contexto de outros estudos e de sua própria experiência. Normalmente é necessário mais de um artigo para que os resultados sejam considerados confiáveis ou aceitos como verdade universal.
Como funcionam as publicações científicas:   
                                                    
                                                              
  • Para que haja avanços científicos, os cientistas precisam mostrar seus resultados para outros cientistas. A principal maneira de fazer isso é publicar seus estudos nas revistas científicas, que são publicações periódicas que visam ao progresso da ciência através da divulgação de novas pesquisas.
  • Os editores dessas revistas recebem muito mais artigos do que podem publicar, então usam um processo de seleção em duas etapas. Primeiro, decidem se o artigo é adequado para a sua revista. Por exemplo, algumas revistas científicas publicam somente estudos inovadores; outras são restritas a uma determinada área, como microbiologia.
  • Se o editor decide que um artigo é adequado para a sua revista, ele o encaminha para o processo de revisão por pares, que analisará se os resultados são válidos, relevantes e originais.
Financiamento e disponibilidade:
  • A maioria das publicações científicas é financiada através de assinaturas, sendo que algumas também se beneficiam de subsídios institucionais, organização de congressos e publicidade.
  • Muitas estão disponíveis na internet, e é cada vez mais comum que o conteúdo seja divulgado gratuitamente na internet após um determinado período, geralmente um ano.
  • Existem também modelos alternativos de financiamento, como quando os cientistas pagam os custos de revisão e publicação dos seus artigos, para que elesfiquem disponíveis livremente. Menos de 1% dos artigos são publicados dessa forma.
  • Você sabia que existem cerca de 21.000 revistas acadêmicas e científicas que usam o sistema de revisão por pares. Grande parte atua na área técnica, médica e científica, publicando mais de um milhão de estudos por ano.
Publicar em revistas científicas faz parte da vida do cientista, pois:
  • permite-lhe fazer contato e divulgar sua pesquisa entre pessoas que pensam de modo semelhante. Um artigo publicado é lido por cientistas do mundo todo.
  • é um registro permanente do que foi descoberto, quando e por quem – como a ata de um tribunal, só que na área científica.
  • ajuda os cientistas a promover o próprio trabalho e a ter o reconhecimento das instituições, financiadoras e outras.
  • mostra a qualidade do trabalho do cientista, já que outros especialistas o consideraram válido, relevante e original.
A propósito...
Revisão por pares de projetos de pesquisa.
  • A revisão por pares também é usada para avaliar pedidos de financiamento para pesquisa. As instituições financiadoras, como organizações beneficentes que apóiam a pesquisa médica, buscam a opinião de especialistas sobre projetos de pesquisa antes de conceder o financiamento pedido. Nesse caso a revisão por pares é usada para julgar quais são os pedidos mais válidos do ponto de vista científico e com mais probabilidade de ajudar a organização a alcançar seus objetivos.
                                                                     
Como saber se os resultados divulgados foram analisados por pares?
Nem sempre é fácil!
A referência completa a um artigo que foi submetido à revisão por pares geralmente é assim:
Fellers J H and Fellers G M (1976) Tool use in a social insect and its implications for competitive interactions. [Uso de ferramentas em insetos sociais e suas implicações para interações competitivas.] Science, 192, 70-72.
... ou assim:
Hedenfalk I, Duggan D, Chen Y, et al. Gene-expression profiles in
hereditary breast cancer. [Perfis de expressão gênica em câncer de mama hereditário.] N Engl J Med, 2001; 344: 539-48.
  • Algumas pessoas inescrupulosas usam esse formato em sites e artigos para citar estudos que não passaram pelo processo de revisão por pares. Mas felizmente isso é raro.
  • A fonte mais provável de notícias científicas são os jornais e noticiários, onde não há espaço ou interesse em dar a referência completa. Os bons jornalistas, porém, costumam indicar se a pesquisa foi publicada e mencionar o nome do periódico.
  • Você também pode procurar reportagens mais longas sobre uma dada pesquisa em outros jornais, ou em revistas de divulgação científica, também disponíveis na internet, para descobrir se a pesquisa foi publicada e onde.
  • Isso também ajuda a verificar se as informações veiculadas são um reflexo real dos resultados da pesquisa.
  • Muitas vezes os estudos científicos apresentados em congressos já começaram o processo de revisão por pares, mas os resultados são preliminares e ainda não foram publicados.
  • Quanto mais pessoas perguntarem sobre a revisão por pares, mais os repórteres se sentirão pressionados a incluir essa informação.
  • Não existe uma lista definitiva de periódicos com revisão por pares, mas você pode procurar alguns pelo nome no serviço de notícias científicas online EurekAlert! www.eurekalert.org/links.php?jrnl=A
  • No final deste folheto você encontrará outras fontes de informação sobre pesquisas científicas.
O que acontece depois da revisão por pares?
  • Quando os resultados de uma pesquisa são analisados por pares e publicados numa revista científica, isso quer dizer que são suficientemente válidos, relevantes e originais para merecerem a atenção de outros cientistas.
  • A revisão por pares é uma linha divisória importante para separar o que é científico do que é mera especulação e “achismo”. A maioria dos cientistas estabelece uma distinção clara entre seus estudos que foram analisados por pares e suas opiniões em geral.
  • Até aí tudo bem, mas e depois?
  • A publicação de um artigo submetido à revisão por pares é apenas o primeiro passo: os resultados e as teorias desenvolvidas a partir deles precisam ser testados novamente e comparados com outros estudos na mesma área. As conclusões de alguns estudos podem ser questionadas e pesquisas posteriores podem mostrar que eles precisam ser revistos, com a coleta de mais dados.
  • Assim como algumas lavadoras de roupas trazem um selo de qualidade, a revisão por pares é a garantia de qualidade na ciência. Ela informa que uma pesquisa foi realizada e apresentada segundo um padrão de qualidade avalizado por outros cientistas.
Os desafios da revisão por pares:
  • Por que não pode simplesmente existir uma lista de itens para verificar a validade científica?
  • Avaliar um artigo científico não é a mesma coisa que outorgar um selo de qualidade e segurança para um automóvel ou corrigir uma prova de matemática. As novas pesquisas costumam ter características próprias, que são difíceis de prever com uma simples lista e que exigem uma avaliação especializada no que diz respeito à validade, relevância e originalidade.
  • A revisão por pares consegue detectar os casos de fraude e má-fé?
  • A revisão por pares não é um sistema de detecção de fraudes. Os revisores podem detectar alguma ação fraudulenta, como plágio ou falsificação de dados, porque conhecem bem o assunto. Eles conhecem as pesquisas já realizadas na área e os tipos de resultados esperados. No entanto, se alguém tentou deliberadamente falsificar dados, às vezes não há como descobri-lo até que o estudo seja publicado e outras pessoas da comunidade científica comecem a avaliar a pesquisa e a repeti-la.
As correntes científicas dissidentes são rejeitadas através da revisão por pares?
  • Às vezes as pessoas temem que ideias novas não serão aceitas por outros cientistas (embora isso também sirva como desculpa quando os pesquisadores não querem se submeter à avaliação de seus pares). É verdade que os revisores podem ser muito cautelosos com achados incomuns, e que ideias importantes podem não merecer a devida atenção inicialmente. Mas se uma pesquisa foi especialmente engenhosa, o mais provável é que os outros cientistas o reconheçam e a diferenciem de dados falsos ou inchados. Os editores dos periódicos gostam de ideias novas, e a publicação de artigos científicos trouxe à luz milhares de descobertas importantes.
                                                                  
Será que o processo de revisão por pares retarda o avanço do conhecimento científico e médico?
  • No nosso mundo de comunicação instantânea e divulgação de notícias 24 horas por dia, um processo deliberativo como a revisão por pares pode ser frustrante por ser muito lento. A comunicação eletrônica melhorou o processo, mas uma boa avaliação de uma pesquisa leva mesmo certo tempo. 
  • Às vezes as pessoas justificam a divulgação de descobertas não publicadas dizendo que são “importantes demais para esperar”. Entretanto, apesar de alguns estudos levarem meses para serem analisados e aperfeiçoados, no caso de uma descoberta importante o processo pode ser concluído em poucas semanas. Além disso, se os resultados forem muito importantes – por exemplo, se forem ligados à saúde pública – a revisão por pares se torna ainda mais necessária.
                                           
                                                          
Outras informações:
Sense about Science – Entendendo a ciência
Para saber mais sobre a revisão por pares, você pode visitar o site Sense About Science, onde existe uma seção dedicada ao assunto. A seção inclui download gratuito do relatório completo “Peer Review and the Acceptance of New Scientific Ideas” (“A revisão por pares e a aceitação de novas ideias científicas”) (2004), versões eletrônicas do folheto e recursos didáticos adicionais. Para solicitar mais cópias do folheto, por favor, mande um email para: publications@senseaboutscience.org Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
ou ligue: 00 (operadora) 44 (0) 20 7478 4380 www.senseaboutscience.org/peerreview
Association of Medical Research Charities: a associação de auxílio à pesquisa possui uma página em seu site sobre a revisão por pares de pedidos de auxílio: www.amrc.org.uk/temp/Aboutsppeerspreview.doc
Committee on Publication Ethics: O COPE oferece um fórum para editores de periódicos científicos discutirem como lidar com violações de ética em pesquisas e publicações: www.publicationethics.org.uk
The National Electronic Library for Health: a Biblioteca Eletrônica Nacional de Saúde possui um arquivo chamado ‘Hitting the Headlines’, que analisa as notícias e reportagens médicas e fornece as evidências científicas nas quais se baseiam: www.nelh.nhs.uk/hth/archive.asp
The Science Media Centre: o Centro de Mídia Científica publicou um folheto chamado “Peer Review in a Nutshell” (“A revisão por pares em poucas palavras”), que é um guia para cientistas que querem se preparar para dar entrevistas na Mídia www.sciencemediacentre.org/peer_review.htm
Agradecimentos :
Este folheto foi produzido e distribuído com o patrocínio e a ajuda de:
Sense About Science agradece a contribuição dos patrocinadores, das diversas organizações (principalmente Cancer Research UK, Asthma UK, Migraine Trust and Action Medical Research), de parlamentares, autoridades do governo, instituições de ensino, professores, estudantes, médicos, farmacêuticos, conselhos científicos e de inúmeras outras pessoas e instituições. A responsabilidade pelo conteúdo é inteiramente da Sense About Science.
Capa da The Lancet, vol. 366, No. 9487, 27 agosto 2005, publicada com permissão da Elsevier.
Capa da Science reimpressa com permissão da AAAS.
© Sense about Science 2005
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23 Março 2012

Um escritor premiado elabora manual do mundo para o filho com deficiência Intelectual


Jovens de um novo tempo, despertai!






Um escritor experiente se encontra diante do grande desafio narrativo: explicar o mundo e sua falta de sentido ao filho que sofre um tipo de deficiência mental. Com este enredo, o autor japonês Kenzaburo Oe elaborou a obra-prima “Jovens de um Novo Tempo, Despertai!”, que ganhou uma edição caprichada no Brasil da Companhia das Letras, com direito até a um charmoso marcador de página de tecido.
 

Com um texto lúcido, ainda que carregado de emoção, Oe não cai no sentimentalismo extremo e evita com classe narrativa os lugares-comuns. Apresenta a deficiência do filho a partir de questões existenciais pertinentes a qualquer um. Por exemplo: a morte. Parece partir da preocupação em explicar a morte ao filho todo o projeto do tal “manual de definições do mundo, da sociedade e do ser humano”.


Após uma crise nervosa do filho, pai e mãe percebem como involuntariamente usavam o fim da vida como uma ameaça de futuro nas discussões com o garoto, um adolescente em formação. “Minha mulher e eu ficamos abatidos, com vergonha de nós mesmos ao pensar nas vezes sem conta em que repetimos a pergunta: ‘Que é que você vai fazer depois que nós morrermos, Iiyo?’”.
 

O narrador está certo que foram diálogos como esse que fizeram seu filho compreender o futuro como algo a se temer. E a morte, como alguma coisa que antes de acontecer a seus pais, seria conveniente que acontecesse a ele. “Depois de vestir o uniforme escolar, meu filho se senta todas as manhãs no tapete da sala de estar. Separa os joelhos gordos, planta as nádegas firmemente no chão e abre o jornal matinal. Apenas para ler o obituário. (…) ‘ Ah, vejam outra vez quanta gente morreu esta manhã!”.


Oe escreve com a fluidez de quem está muito próximo e íntimo ao tema. Prêmio Nobel em 1994, o autor tem um filho com deficiência mental e o apresenta em sua obra frequentemente. Os capítulos que compõem “Jovens de um Novo Tempo, Despertai!” foram originalmente publicados em jornais japoneses entre julho de 1982 e junho de 1983.


Chama atenção na narrativa de Oe a proximidade que se estabelece com a literatura ocidental. William Blake é uma importante referência, inclusive os títulos do livro e dos capítulos foram tirados da obra do poeta inglês. Há várias citações de Blake e parte de versos dele algumas das imagens construídas pelo narrador em seus devaneios.


“Jovens de um Novo Tempo, Despertai!”
Autor:  Kenzaburo Oe
Editora: Companhia das Letras
Tradutor: Leiko Gotoda
 Páginas: 320

Fonte: http://entretenimento.uol.com.br/


In http://www.deficienteciente.com.br/2011/10/escritor-elabora-manual-do-mundo-para-filho-deficiente-mental-em-jovens-de-um-novo-tempo-despertai.html?utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed acessado dia 23.03.2012