11 dezembro 2012

Isabel Cristina McEvilly: Uma visão para o Brasil (Portuguese)

Faz muito mais de tres meses, que estamos com esse depoimento da Isabel para divulgar aqui no Blog. Andamos buscando fotos atualizadas dela, para mostrar às pessoas quem era essa incrível pessoa. Havia a questão de editar o texto e mudar algumas coisas, porque a Isabel escreveu-nos com alguns vícios da língua inglesa, tendo em vista que está há tantos anos nos EUA. E agora encontramos o texto e as fotos, publicados por Scott Rains. Então, melhor ainda. Isabel demonstra claramente a realidade da convivência de uma pessoa com deficiência neste Brasil, ainda tão carente de informações, educação e respeito.
Nosso mais que carinhoso abraço e congratulações à Isabel.


By Scott Rains on December 11, 2012 7:06 PM
Por Isabel Cristina McEvilly:


 
 
Depois de ler o documento da apresentação do Scott Rains, fiquei com esperanças de que realmente as coisas possam melhorar no Brasil,mas na minha opinião as leis deveriam ser mudadas e respeitadas antes mesmo de se começar a construir ou reconstruir acessos para portadores de deficiência.Leis que antes de serem aprovadas ao léu deveriam ser melhor examinadas.
Se voce não leu o que o Scott Rains disse na reunião dos lideres com deficiencias no estado de Ceara organizador pela ONG Arte Pensamento em 2012 você deveria aqui: [ The Legacy of Copa 2014 and the Rio 2016 Olympics for Brazil. ]
Bom, vou falar um pouco da minha história para que vocês entendam a que me refiro.
 
 
 
Comecei a desenvolver minha deficiência quando tinha 4 anos. Tive três diferentes diagnósticos: Poliomielite, Charcot Marie Tooth e um terceiro diagnóstico que já não me lembro mais o nome,mas a maior parte de minha vida ouvi dizer que havia tido polio.
Aos 13 anos minha mãe faleceu decorrente de um câncer de mama( breast cancer).Meu pai, hoje também falecido, tinha mais preocupações com bebidas e mulheres do que com as duas filhas que ele tinha.Acredito que somente quem tem um pai alcoólatra sabe o quanto é difícil, mas não quero me aprofundar nesta parte.
Eu e minha irmã sempre fomos muito amigas, isso era uma coisa que minha mãe estava sempre nos falando, que éramos mais do que melhores amigas, éramos irmãs.Quando minha mãe faleceu, minha irmã e eu nos tornamos ainda mais unidas.
Minha avó materna tentou trazer-nos para cá ( Estados Unidos), mas ela acabou morrendo dois anos depois da morte de minha mãe.Um motorista bêbado causou o acidente que tirou a vida de minha avó e também de uma de minhas tias.
Quando tinha aproximadamente 17 anos, uma tia foi ao Brasil e tentou trazer-nos, mas o consulado negou e somente uma de nós poderia vir. Como estava em tratamento para tentar uma cirurgia, fiquei e experimentei novamente a dor da perda, pois ja não teria mais minha irmã perto de mim.Não era fácil ouvir as pessoas dizerem que eu era diferente, eu adorava dançar e não via minha deficiência, mas depois de tanto me apontarem a deficiência como algo que deveria ter vergonha, parei de dançar.
Por mudar de uma casa para outra, minha irmã e eu ja havíamos perdido alguns anos de escola e com os acontecimentos e minha rebeldia juvenil para chamar a atenção das pessoas, eu parei de estudar e fiz isso por muitos anos.Trabalhava com meu pai no bar que ele e minha mãe haviam conseguido com muito esforço.
Com o passar dos anos eu queria voltar para escola, mas tinha vergonha, pois estava "velha" para isso.
Meu pai, acabou vendendo o bar e quando foi fazer uma nova compra, ele levou um golpe. Perdeu todo o dinheiro que tinhamos.
Precisava agora arrumar um emprego e por mais que tentasse não conseguia, pois não tinha experiência ou mesmo estudos.
Coloquei minha vergonha de lado e fui fazer o supletivo,mas não era fácil,principalmente porque a escola tinha escadas e não havia corrimão.Fui pedir para a diretora instalar e o que ouvi foi que a escola não tinha verbas e que eu poderia usar a escada do meio que era apenas para os professores.
Nessa época eu pagava ônibus e dava meu lugar para idosos e gestantes, ficava em filas, não usava nenhum dos meus direitos.
Foi quando um grupo de estudantes da USP começaram a ir na escola, não me lembro o que levaram eles até lá, mas lembro que estava conversando com um dos rapazes do grupo e ele me disse que admirava todas as pessoas que voltavam a estudar, cada um tinha um motivo diferente por ter abandonado os estudos, mas retornar era sinômino de coragem e que no meu caso ele estava realmente admirado por causa da deficiência. Nesse mesmo momento soube que um dos professores me admirava muito pelo mesmo motivo. Voltar a estudar depois de anos exigia coragem, mas ter ainda que passar pelos obstáculos da deficiência, eu era realmente um exemplo.
Depois de ouvir minha vida inteira de que eu não era capaz, de que não conseguiria, que não era perfeita, que eu era bonita e o problema era só os meus pés.Aquelas palavras me deram uma força que havia esquecido possuí- la.Coragem que me levou a ir de classe em classe e pedir para que os alunos assinassem o meu abaixo- assinado, requerindo corrimãos para as duas escadas laterais, para o meu benefício e de todos os outros portadores de deficiência física, mas também para aqueles que tivessem o pé quebrado e os mais velhos que também estavam ali para estudar.Não foi preciso mandar o abaixo-assinado para Secretaria da Educacão, a escola instalou os corrimãos.
Terminara o colegial, mas ninguém me dava emprego, " não tinha experiência".
Fui então para secretaria do trabalho, lá fui encaminhada para o departamento responsável para portadores de deficiência.Conheci a Thais, que é fonoaudióloga e ela me explicou mais sobre os direitos das pessoas portadoras de deficiência e que não deveira me sentir mal por usá- las.

Fui ao banco com uma de minhas priminhas e resolvi seguir o conselho da Thais, estava na fila e escutei um homem gritando que as pessoas não têm vergonha na cara, gente nova com saúde...Veio a gerente e perguntou para uma senhora quantos anos ela tinha, a pobre mulher mostrou o RG, a que estava na minha frente disse que estava de 3 meses de gestacão e ela então me perguntou o porquê de eu estar na fila e eu lhe disse. Chegou a minha vez de ir ao caixa, a moça não olhou pra mim, se virou e disse ao seu colega ao lado: - Olha que falta de vergonha! Cheguei ao caixa e ela me disse: - Você sabe que esta fila é para idosos e gestantes! E eu perguntei a ela se não era também para deficientes.Ela sem graça disse que sim, então perdi a minha paciência, alterei minha voz e lhe disse: - Se voce tivesse olhado pra mim, teria visto que ando diferente de você,mas com certeza se eu fosse tentar namorar alguém na sua família voce iria ver a minha deficiência antes mesmo de me ver.

 
Já no onibus, teve um motorista que ficou esperando eu descer do ônibus e começar a caminhar para parar de me olhar com ar de suspeita. Um outro que assim que viu que eu ia entrar pela porta da frente comecou a dirigir o onibus e foi o cobrador que gritou: -Para o ônibus, a moca é aleijada. Um senhor entrou no ônibus e começou a me insultar, pois estava no lugar que era dele. Então aí veio a lei: certo número de empregados tem que ter certo número de deficientes,meio maluco isso, mas fui lá "tirar proveito". " Mas você precisa de alguma adaptacão? Sabe o que é, a vaga foi preenchida esta manhã."
Bom, aí vem mais uma vez Deus me dizer que sou forte e sou capaz. Tivemos uma reunião, a Thais, a diretora, outros deficientes que também estavam procurando empregos (uns com diplomas de faculdade e experiência) e eu é claro. No dia seguinte a Thais me pediu pra ir até lá. Começamos a conversar e ela me disse que havia uma vaga para recepcionista, não pagavam muito, mas seria um começo e que eu me daria bem lá, pois teria contato com crianças( o que eu amo) e seria apenas para começar. Então ela me disse que não sabia o que estava acontecendo comigo, pois a diretora que estava na reunião conosco lhe disse que eu não falava muito, mas meus olhos sim falam muito,mas o que mais a havia impressionado foi que apesar de não falar muito, quando abria minha boca falava de forma correta,o que os outros que estavam ali com diploma não o fizeram. Sai de lá e fui para minha entrevista, claro que consegui o emprego. Alguém tinha acabado de me dizer que eu era boa, pelo menos no meu português.
Nesse emprego, era a recepcionista, a amiga e a conselheira de todos. Bom, muitos de vocês conhecem esse lugar, é a Expansão. Lá conheci algumas pessoas que me indicaram outras pessoas ou lugares e quando fui ver estava envolvida com Magic Hands, CMPD e o pessoal da Saga Natacão.
Tenho muitas histórias boas da Expansão, mas uma vou contar agora.
Uma mãe veio me contar que estava triste pois a AACD havia dito que o filho não poderia mais ir para escola ,pois ele não tinha mais capacidade de aprendizado. A mãe disse a ele e o pobre menino ficou super triste, pois ele queria ir pra escola como seu irmão. Entrei em contato com alguns dos meus novos amigos e me disseram para falar para essa mãe que ela deveria ligar para associação e dizer que se eles nao aceitassem o menino, ela iria com o advogado até o tribunal de justiça e abrir uma ação contra eles. A mãe me ligou depois de alguns dias para dizer que eles ligaram para ela e disseram que foi tudo um mal entendido e o menino poderia sim frequentar a escola.
Agora já nas reunioes do CMPD tem três histórias que gostaria de contar. Essas ficaram marcadas em minha memória. Não me lembro mais o nome das pessoas, mas me lembro dos incidentes.
A primeira foi de um rapaz que é deficiente e que precisando de ajuda para descer as escadas do metrô pede ajuda aos funcionários. Quando esses chegaram perto do cadeirante,um dos funcionarios disse:
- Por que voce não se jogou? Era menos trabalho. Já a segunda também envolvendo o pessoal do metrô, foi com uma uma deficiente visual e o rapaz que a conduzia disse a ela: - Você deveria ficar era em casa. O terceiro caso foi uma pessoa que sendo deficiente visual não percebeu que a rampa já havia terminado e foi puxado por uma pessoa antes que o carro o atropelasse.
Aonde eu quero chegar com minhas histórias? Nao é apenas construir ou reconstruir estádios, hotéis, cinemas, teatros,além disso é preciso ter conhecimento do que e como estão sendo feitas essas obras. Arquitetos, engenheiros e pedreiros, antes de começarem qualquer coisa devem ouvir os deficientes , visuais, auditivos, os amputados , cadeirantes, os que usam muletas, órteses, os que tem atrites, todas as pessoas que tem algum tipo de dificuldade motora devem ser ouvidas e também os idosos. Uma das coisas mais estúpidas que eu achava era a luz de estacionamento com alerta sonoro dos prédios para avisar que os carros estão saindo, mas me diga como um deficiente visual perceberia os carros?
O Brasil precisa sim de reformas arquitetônicas urgentes,mas precisa também de educação e não estou me referindo apenas a escolar. Respeitar e aceitar as diferenças! É preciso começar já a educar os funcionários públicos, termos ônibus adaptados com motoristas e também adaptados a serem gentis, educados e prestativos. O governo dá vagas de empregos, otimo! Mas as escolas não estão adaptadas para que as crianças deficientes frequentem a mesma. A vaga de emprego está aberta, agora o governo também está dando bolsas de estudos,mas como o deficiente irá para a faculdade se nao tem ônibus adaptados?

Eu cheguei a prestar faculdades aí no Brasil e na USP.A minha pontuação foi melhor do que de uns primos meus mais novos e que haviam estudado em melhores escolas, mas nenhum de nós conseguiu entrar. Depois consegui passar numa faculdade que oferecia o curso de filosofia gratuíto, ja que o de matemática eu não poderia pagar,mas não era o que eu queria.
Estavam oferecendo inscrições gratuítas na UNIP e minha colega de trabalho não queria ir, então pedi pra ela e ela foi. Chegou em casa a carta da faculdade dizendo que havia passado, chorei muito de alegria pois havia passado para o curso de Direito sem a "bolsa", mas chorei ainda mais, pois não ganhava o suficiente para pagar as mensalidades. Já havia passado o prazo de inscrição, quando comentei o acontecido com o Rui Biachi, ele me disse que se eu tivesse lhe dito a tempo ele teria me ajudado com as mensalidades e que nós deficientes precisamos de pessoas como eu.Ele realmente estava disposto a me ajudar, mas não poderia aceitar.
O que infelizmente descobri é que entre nós os deficientes , somos muito os poucos que realmente nos importamos com os problemas das pessoas. Conheci muitos deficientes ricos ou com algum poder que jamais fizeram algo em prol do próximo e sim tudo o que fizeram era para benefício próprio. Por que estou escrevendo isto? Porque não adianta dizer que tem um deficiente a frente das questões, se esse deficiente não for uma pessoa íntegra e honesta. Sendo assim deficientes e "normais" deveriam juntos mudar o Brasil para que possamos fazer bonito na Copa e nas Olimpíadas,mas principalmente no dia-a-dia.
 

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05 dezembro 2012

Dezembro: inclusão e diversidade no Natal e além.


Nosso post não falará de neurociências, nem tão pouco de Educação ou Reabilitação. Vamos falar sobre o mês de Dezembro.
O Dezembro com a presença marcante das festividades de Natal, um convinte à inclusão e diversidade
 
 

Essa festividade que universalmente deixou de ser uma comemoração maior que a festa cristã. São dias de confraternização entre as pessoas, de reuniões com amigos, de reencontros e a oportunidade de todos estarem mais próximos de seus familiares, buscando a proximidade daqueles que estão distantes. Nesses dias, em que todos querem estar com suas famílias e amigos e brindarem o renascimento do espírito humano, batalhador diário em sua luta pela saúde, pela segurança, pela harmonia e paz.

Muito além do consumismo que ainda é fortemente presente, são dias de preparativos nos lares de enfeites, lembranças  e alimentos típicos, que procuram alegrar a todos os  nossos sentidos: visão, audição, gustação, tato,  e olfato.

São corais ensaiando canções, crianças e adultos organizando peças de teatros, bazares, retiros, festas em grupo, e a forte presença das árvores de natal, dos enfeites com azevinho, muito vermelho e luzes.

O azevinho representando o símbolo de paz e felicidade, a árvore de Natal - com o  pinheiro sobrevivente nas imensidões da neve - que, além de decorar, simboliza também  paz, alegria e esperança, a vida.

As luzes de Natal que enfeitam as árvores, cidades e casas no mundo todo lembram e significam, outra luz, invisível aos olhos, mas não ao coração, a luz dos nossos protetores espirituais, a luz dos anjos...
O vermelho, por demais presente, representa o sentimento dominante entre as pessoas que é o amor. O sentimento que une pessoas, famílias, comunidades, países.

Assim enriquecido por suas simbologias cristãs, cabalísticas, ou humanitárias, o Natal a todos contamina por sua alegria, pois, de uma forma geral as pessoas estão mais disponibilizadas para aproximações, abraços, sorrisos, o que faz todo o ambiente da cidade, do planeta, estar mais amoroso, mais vibrante de bons sentimentos e afetividade.


É evidente que essa contaminação de amorosidade e alegria transforma as pessoas nesses dias, deixando todos com um novo vigor e esperança de que juntos podemos construir um mundo mais fraterno e menos agressivo. Com mais harmonia e possibilidades de realizações -  muito além das  materiais -  pois as realizações pessoais e dos amigos enaltecem nosso coração, deixam-nos fluir mais leves, mais crentes de possibilidades de novas aprendizagens, que são tradutoras de crescimento do nosso ser humano em convívio, em troca, em estar e em ser.
 

 
Fica aqui nesse post nossa declaração, intenção e votos de que todos nós possamos ter um dezembro totalmente natalino, cheio de vida, de paz, de harmonia, de afetividade, de carinho, e sendo assim que este mês abastecendo nosso ser de muita energia do bem, possa nos conduzir a um novo ano de trabalho, com muita procura por aprimoramento para todos nós. Entendendo que esse aprimoramento atinge todas as esferas de nossa vida: a nossa relação pessoal, interpessoal e relacional, tanto no trabalho, como em casa, com os vizinhos, com nossa cidade, com nosso país e nosso planeta.










Que todos  estejam preocupados com todos , na busca do bem estar de todos . Todos com direitos intrínsecos e inerentes de estar nesta vida usufruindo os mesmos espaços, as mesmas oportunidades, as mesmas possibilidades. Inclusão e diversidade continuarão sendo as palavras que precisam ser refletidas, compreendidas e conquistadas. A inclusão de muitas facetas que desconhecemos em nós mesmos, a inclusão de todos que estão à nossa volta,  e a diversidade do que somos e de todos que estão convivendo conosco, em nosso entorno, nesta cidadania de convivência global.


Gisleine Martin Philot
Terapeuta Ocupacional
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30 novembro 2012

A Neurociência do aprendizado

com Suzana Herculano-Houzel

 
"Nas últimas décadas as pesquisas em Neurociências vêm contribuindo para um conhecimento inédito de como o cérebro se desenvolve e funciona. Conhecimento fundamental para os diversos campos da ciência, em especial o da Educação.
Nesta série de programas, a neurocientista Suzana Herculano-Houzel traz estas descobertas para o contexto educativo e revela como estas ideias podem ajudar na compreensão do processo de aprendizagem. Este programa oferece os seguintes conteúdos; O que é aprender; Um excesso de sinapses inicial;



 
 
 
 

Remodelando os circuitos; Sinapses corretas; Criação e remoção das sinapses um processo contínuo; Janelas de oportunidade; Genética como ponto de partida; Oportunidade, prática e motivação; Fatores que influenciam a aprendizagem; Atenção a grande porta do aprendizado."
 
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28 novembro 2012

O Impacto da Internet sobre as Neurociências

by Silvia Helena Cardoso, PhD



 
"Vivemos e nos movemos hoje na plenitude da era da informação. A sobrevivência humana tem exigido máxima atualização da informação. A velocidade de acumulação do conhecimento está aumentando de forma vertiginosa em quase todas as atividades humanas. Com a Internet, a gigantesca rede de computadores do planeta, houve uma aceleração ainda maior na curva do conhecimento.
Na área médica e científica, a Internet tem figurado como um ambiente essencial, não somente para difusão da informação, mas também para a cooperação entre instituições. Ela tem permitido ao profissional desta área, pensar e agir a nível global, e gerar com maior eficiência e rapidez, produtos de valor para a comunidade.  
O exemplo mais elementar desse fenômeno ocorre no campo da difusão da informação. Médicos, biólogos e cientistas, na qualidade de executores e produtores de informações, têm contribuído para a educação de pacientes e estudantes nas neurociências básicas e clínicas. Exemplos disso são os livros e revistas on-line (como, por exemplo, o Journal of Neuroscience, para trabalhos de pesquisa, e a própria revista Cérebro & Mente, para divulgação científica), e as chamadas "comunidades virtuais de ensino" como o Hospital Virtual americano (e seu correspondente brasileiro, o HVB), as quais contém grande volume de informação científica disponíveis gratuitamente para todos os interessados. Imensos e bem organizados bancos de imagens, como o The Whole Brain Atlas, e de neuropatologia, como o WebPath, dão acesso a um mundo inimaginável de informação visual, a qual seria impossível antes da existência da Internet. Existem inclusive  "cursos virtuais" completos em neurociências, como o Neurosciences Tutorial da Universidade de Washingthon em Saint Louis, no qual os estudantes podem realizá-lo inteiramente através da Internet. 

Como se orientar nesse universo crescente de informação através da rede ? Felizmente, para isso existem catálogos especializados e até mecanismos de busca por palavras-chave, como o Neurosciences on the Internet e o Neurosciences Web Search.  

No campo de pesquisa, cientistas têm desenvolvido trabalhos cooperativos nacionais e internacionais, sem saírem de seus países e mesmo de suas salas e laboratórios. Pesquisas de ponta, como o Programa Genoma Humano, têm sido desenvolvidas por grupos internacionais, cada um em seu país. Com isso, os custos e a rapidez da elaboração de pesquisas são tremendamente beneficiados. Em neurociências, um bom exemplo é o banco de dados sobre o Cenorrhabdtis elegans. Este é um pequeno nemátodo subterrâneo, com apenas 1 mm de comprimento, mas que se tornou um dos principais modelos do estudo científico cooperativo da genética do desenvolvimento e do estudo da neurobiologia, devido à sua simplicidade estrutural. A sua comunidade de pesquisa atualmente tem cerca de 1.000 cientistas, que interagem através da Internet, no grupo de notícias bionet.celegans, em listas de discussão, no acesso à base de dados ACeDB (A C. elegans Data Base), que contém todo o genoma do animal, bem como uma descrição completa, anatômica e funcional, de cada um dos seus 360 neurônios; e através de um servidor da WWW especialmente dedicado a este organismo, mantido pela Universidade do Texas.
Outro exemplo do tremendo impacto e significância da Internet em pesquisa e desenvolvimento ocorre nas áreas de neurobiologia molecular e neurogenética. Atualmente todas as seqüências de genes são submetidas e consultadas através de gigantescos bancos de dados disponíveis na Internet no National Center for Biotechnology Information. Se apenas um deles, o GenBank, fosse distribuído em CD-ROM, ocuparia cerca de 40 discos, o que tornaria impraticável o seu uso fora da rede. Um neurobiologista molecular que não tenha acesso à Internet, portanto, não consegue mais trabalhar neste campo. Uma tendência similar pode ser observada em muitos outros campos das neurociências. 
Um conceito fascinante permitido pela Internet é o chamado trabalho cooperativo através da rede. Por exemplo, na redação das publicações de pesquisa, todos os membros de um grupo de cientistas podem dar sua contribuição ainda que cada um esteja localizado em diferentes pontos do planeta. Eles podem escrever simultaneamente um mesmo trabalho, praticamente com a mesma velocidade e eficiência que se estivessem lado a lado, utilizando um tipo de software chamado groupware, como o Lotus Notes ou o Microsoft NetMeeting. Este software permite que cada palavra ou frase apareça com uma cor diferente, conforme quem a escreveu. Imagens podem ser inseridas e o texto editorado por várias pessoas ao mesmo tempo, através da Internet.  
Existem ainda aplicações mais avançadas. As redes neurais artificiais são um modelo aplicado de sistema de apoio à decisão, que utilizam os conceitos de organização funcional do sistema nervoso. Atualmente elas estão sendo usadas para ajudar os neurocientistas em seus trabalhos de pesquisa, fechando um círculo interessante: as neurociências fornecem resultados para que os engenheiros produzam redes neurais artificiais cada vez mais poderosas, e estas, por sua vez, ajudam os neurocientistas a processar sinais e imagens biológicas, detectar padrões, e até elaborar decisões na área clínica (veja o artigo pelo pesquisador Malcon Taffner neste número de C&M). O Núcleo de Informática Biomédica da Unicamp desenvolveu uma rede neural de apoio à decisão em neurocirurgia que funciona através da Internet. O usuário fornece os dados do paciente com trauma craniencefálico e a rede neural responde ao prognóstico e auxílio sobre decisão de se fazer ou não a cirurgia (http://www.ldc.com.br/mlucia).
No futuro, possivelmente até mesmo congressos e simpósios de neurociências serão realizados através da Internet. No Virtual World Congress, da American Association of Chest Physicians, está ativo para dezenas de palestrantes convidados, mesas redondas, narração de posters e show de slides. Para participar, você não precisa nem mesmo se procupar em conseguir passagens aéreas e quartos de hotel. Onde é a conferência? Pode ser em qualquer lugar, isto não é relevante..
 Enquanto esse dia não chega por completo, a organização de grandes congressos, como o famoso Neuroscience Meeting, realizado pela Society for Neuroscience, e que reúne mais de 25.000 cientistas e estudantes todo ano, depende de forma essencial da Internet. Todos os seus detalhes, desde a inscrição no congresso, até a lista e reserva dos hotéis e o resultado da aceitação de papers, ficam disponíveis interativamente através da Internet, facilitando em muito a participação de todos. 
Desta forma, fica evidente que o universo do saber está passando por um processo de transformação em seus paradigmas. Um efeito interessante deste processo já começa a ser notado: o próprio comportamento das pessoas também está sendo modificado por esta "sociedade virtual" estabelecida há tão poucos anos pelo advento da Internet.  

 
Um ponto interessante a se notar com este processo de transformação do universo do saber, é como o próprio comportamento das pessoas também está sendo modificado por esta "sociedade virtual" estabelecida há tão poucos anos pelo advento da Internet. Estudiosos têm realizado pesquisas sobre esse comportamento, notando as diferenças que existem em relação a outros comportamentos de comunicação e interação social. Já existem até mesmo alguns periódicos internacionais dedicados ao tema, como o CyberPsychology & Behavior, e o The Journal of Online Behavior. Este último descreve seus objetivos como sendo "o estudo empírico do comportamento humano no ambiente on-line, e qual é o impacto da evolução das tecnologias de informação e comunicação sobre os indivíduos, grupos, organizações e a sociedade". 
Podemos concluir que, para todos os propósitos, a "sociedade on-line" possibilitada pela Internet, representa uma nova revolução na esfera da comunicação humana e na extensão dos poderes de nossos sistemas nervosos por meio da tecnologia. Esta via começou historicamente quando nossas espécies emergiram milhões de anos atrás, primeiro com o aprendizado e comunicação por gestos e imitação, e então por um passo poderoso representado pela aquisição da linguagem, e finalmente, pela invenção da escrita. A interação eletrônica global transformará radicalmente os nossos caminhos bem como os nossos cérebros.
 
A neurociência nunca mais será a mesma."
IN: http://www.cerebromente.org.br/n05/editori5.htm,  acessado dia 28.11.2012
 
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22 novembro 2012

“MUDE SUA PERSONALIDADE E VIVA MAIS”




 
Viver até os 100 anos de idade ainda é um acontecimento raro, mas está se tornando cada vez mais comum no mundo todo. No Brasil, esse grupo já representa mais de 23.000 pessoas, segundo o Censo de 2010. Mas como essas pessoas conseguem viver tanto? Pesquisas sugerem que boa parte da resposta está nos genes dessas pessoas, porém descobriu-se recentemente que a personalidade também é um fator importante da longevidade. 

 

Se a personalidade é importante para a longevidade, será que conseguimos mudar nossa personalidade? Existe uma crença comum de que “cachorro velho não consegue aprender novos truques”, ou seja, uma vez que a personalidade é formada no início da vida adulta, ela permanece inalterada ao longo da vida. Mas um novo estudo desafia essa crença utilizando uma intervenção cognitiva baseada em exercícios para o cérebro.

 Pesquisadores desenvolveram um programa de treinamento para melhorar a capacidade de raciocínio em idosos que consistia em uma série de desafios que eles podiam fazer em casa. Os idosos possuíam entre 60 e 94 anos de idade e completavam os desafios cada um no seu ritmo, porém o nível de dificuldade individual aumentava a cada semana. Cada participante passou por um teste de habilidades cognitivas (como memória, atenção, raciocínio lógico etc.) e de traços de personalidade, antes, durante e depois do programa de treinamento.


Vale explicar que a personalidade refere-se a um conjunto estável de padrões comportamentais, bem como traços cognitivos, motivacionais, sociais e emocionais, que são influenciados pelo histórico familiar, predisposição genética, ambiente e fatores socioculturais.

A psicologia geralmente descreve a personalidade de uma pessoa através de cinco fatores:

1.Neuroticismo:  A escala global do Neuroticismo avalia a adaptação vs. a instabilidade emocional. Identifica, por conseguinte, indivíduos preocupados, nervosos, emocionalmente inseguros, com sentimentos de incompetência, hipocondríacos, com tendência para a descompensação emocional, idéias  irrealistas, desejos e necessidades excessivas e respostas de coping desadequadas..

2.Extroversão: Os extrovertidos são pessoas sociáveis, que para além de apreciarem o convívio com os outros, com os grupos e as multidões, são também afirmativos, otimistas, amantes da diversão, afetuosos, ativos e conversadores.

3. Amabilidade: A pessoa amável é, fundamentalmente, altruísta, de bons senti¬mentos, benevo¬lente, digna de confiança, prestável, disposta a acreditar nos outros, reta, inclinada a perdoar. É também simpática para com os outros e acredita, por sua vez, que os outros serão igualmente simpáticos.

4.Conscienciosidade: avalia o grau de organização, persistência e motivação pelo comportamento orientado para um objetivo. Contrasta pessoas, que são de confiança e escrupulosas, com as que são preguiçosas e descuidadas.

5.Abertura para o novo. Os componentes da Abertura à Experiência são: a fantasia ou imaginação ativa, a sensibilidade estética, a amplitude dos sentimentos, a abertura a idéias ou a curiosidade intelectual e o juízo independente ou liberal.

Voltando ao estudo, os participantes que passaram pelo programa de treinamento, com 16 semanas de duração, tiveram melhora nas suas habilidades cognitivas. Além disso, os que apresentaram ganho nas habilidades de raciocínio indutivo, também demonstraram um aumento moderado, porém significativo, em abertura para o novo, um dos cinco fatores de personalidade. Com esse resultado, esse estudo é um dos primeiros a demonstrar que traços de personalidade podem mudar através de intervenções “não fármaco-psicológicas”.


Essa descoberta, apesar de ainda estar limitada a um traço da personalidade, abre uma série de possibilidades interessantes, pois diversos estudos já apontam que existem características de personalidade favoráveis à boa saúde na terceira idade, bem como à longevidade. Inclusive, um estudo recente conseguiu identificá-los de maneira mais completa, pois utilizou um grupo mais homogêneo de pessoas.

 A pesquisa contou com mais de 243 centenários, com idade média de 97,6 anos, dentre um grupo de judeus do Leste Europeu. Após analisar os aspectos de personalidade desse grupo, os pesquisadores verificaram que os centenários compartilham certos traços de personalidade que estão associados à longevidade, os quais foram resumidos em duas características.
 
A primeira característica é o que eles chamam de “atitude positiva com relação à vida”, que consiste na pessoa ser otimista, fácil de lidar, dar risada, gostar de sair e possuir uma rede social grande. Já a outra característica foi batizada de “expressão emocional”, que é a capacidade da pessoa expressar abertamente suas emoções, ao invés de represa-las.

 

Mas não basta ter longevidade sem qualidade de vida, principalmente no que se refere à saúde mental. Por isso é que o Cérebro Melhor, o primeiro programa online de treinamento cerebral do Brasil, defende uma série de atitudes para promover o bem-estar de seus usuários, as quais podem ser resumidas em: sono suficiente, alimentação adequada, controle do estresse, exercícios físicos e estímulo cognitivo.”



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05 novembro 2012

Esqueça o que você sabe sobre criatividade

Não faça brainstorming, durma mal, beba um pouco e viva distraído. você fará conexões iluminadas

por Rodrigo Rezende




Mente Brilhante // Créditos: Dair Biroli
 
Copo de cerveja, música árabe, bailarina de dança do ventre. Escrevo esta matéria de um lugar meio inusitado. Fumaça, pessoas batendo palmas, casal discutindo. Estou a 500 km de casa, não conheço ninguém nesta cidade e tenho que entrevistar um cientista amanhã cedo. O que faço aqui, afinal? Tento ser criativo.
Pode parecer estranho, mas ajo segundo a ciência. De acordo com descobertas recentes é exatamente numa situação como essa que é mais provável ter ideias inovadoras. Foco, concentração extrema, reflexão solitária? Esqueça. Se você está em busca da ideia genial, é hora de rever seus conceitos. A fórmula para o insight pode estar onde você menos imagina.

ACRIVIDATIDE

Mas o que é um insight? Para tentar entender, vamos provocar um agora mesmo dentro de sua cabeça. Está vendo estas letras aqui: ULIGALE? Tente organizá-las para formar uma palavra. Se você entendeu o título aí em cima, já está craque nisso. Segundo Jonah Lehrer, autor do recente livro Imagine: How Creativity Works (Imagine: Como a Criatividade Funciona — ainda sem tradução para o português), existem dois métodos possíveis para resolver esse problema. Um deles é examinar, letra a letra, quais são as sílabas mais prováveis. E depois rearranjá-las até que surja uma palavra. O outro? Boa pergunta. A palavra simplesmente surge, como que por mágica, na sua mente. É o insight.

Os cientistas John Kounios, da Universidade Drexel, e Mark Beeman, da Universidade Northwestern, ambas nos EUA, deram um passo importante para desvendar o mistério do insight. Colocaram pessoas para resolver problemas semelhantes ao que você viu dentro de máquinas de ressonância magnética. Perceberam que uma área se torna mais ativa quando alguém tem um lampejo. Com um pouco de tecnologia, os cientistas provaram que pensamento criativo não é feitiçaria: envolve uma parte específica da nossa cabeça. Coloque a mão alguns centímetros atrás da orelha direita. Parabéns, você acaba de tocar uma espécie de ponto G da criatividade em sua mente. Esse pequeno pedaço de tecido cerebral (o giro temporal superior anterior) entra em ação quando você interpreta temas literários, cria metáforas e entende uma piada. E também ao resolver problemas pelo método “mágico”.

Colocar uma qualidade mental tão nobre e etérea no mapa do cérebro é um feito científico considerável. Mas Beeman e Kounios não pararam por aí. O que fizeram na sequência é de dar inveja a qualquer cartomante: previram o momento eureca. Hoje, eles são capazes de colocar alguém em uma máquina e dizer: “Você vai ter um insight em 8 segundos” ou “esquece, você não vai resolver o problema tão cedo”. Isso porque, antes do clímax das ideias, ocorre uma tempestade elétrica e um aumento de fluxo sanguíneo na área cerebral da criatividade. Como verdadeiros profetas, os cientistas leem esse sinais e conseguem prever o momento eureca. Para entender melhor experimentos como esse, a reportagem da GALILEU foi a Joinville (SC) conversar com um neurocientista.

SEM TEMPESTADE DE IDEIAS

Criatividade // Créditos: Dair Biroli
 
São 7h30 da manhã. Em meio a 500 executivos engravatados, ouço um palestrante de apenas 30 anos citar versos da música Like a Rolling Stone, que Bob Dylan lançou em 1965. Quem vê cara, não vê currículo. Além de ser autor de Imagine, seu terceiro livro, Jonah Lehrer é ex-pesquisador do Centro de Neurobiologia e Comportamento (laboratório do ganhador do Nobel de Medicina de 2000 Eric Kandell na Universidade de Columbia, EUA). Ele ainda editou a badalada revista Wired e integra a equipe da New Yorker.

Nos últimos tempos, Lehrer vem rodando o planeta dando palestras para o alto escalão corporativo. Duas horas depois da apresentação na feira ExpoGestão 2012, ele me recebe. “Dormi só 5 horas. Estou mais criativo agora?”, pergunto. Jonah responde: “Se você é uma pessoa com hábitos noturnos, sim”. E dispara a falar sobre outras conexões estranhas. “Quando você está meio grogue, quando é meio avoado, quando está relaxado e, às vezes, até quando toma uma cerveja, tende a ficar mais criativo.” Acredite: o discurso não tem nada de hippie. Pelo contrário. Enquanto ele falava sobre o processo caótico de composição de Bob Dylan, administradores superconcentrados anotavam seus conselhos.

O motivo? Criatividade gera dinheiro. E, segundo a ciência, muitos métodos usados para turbinar a inovação no escritório estão errados. Exemplo: o brainstorming, tática de expor o máximo de ideias em uma reunião sem criticar os demais integrantes do grupo. “Para aumentar nosso potencial imaginativo, temos que focar somente na quantidade de ideias. A qualidade virá depois”, disse o criador da técnica, Alex Osborn, nos anos 40. A teoria parece boa, mas a prática nem tanto. “Décadas de pesquisa provam que pessoas em grupos de brainstorming têm menos ideias que as que trabalham sozinhas”, diz o psicólogo Keith Sawyer, da Universidade de Washington (EUA).

Em um estudo, Sawyer dividiu 48 pessoas em 12 grupos de brainstorming e as colocou para resolver problemas. Depois comparou as soluções com as de pessoas que trabalhavam sozinhas nas mesmas questões. O segundo grupo teve o dobro de ideias, e elas eram mais práticas e eficazes, segundo especialistas. Moral da história: a crítica é necessária ao aprimoramento das ideias, mesmo que seja a autocrítica.

CANSADO E DISTRAÍDO
Em uma pesquisa divulgada em fevereiro deste ano, a cientista americana Mareike Wieth colocou 428 estudantes grogues de sono para resolver dois tipos de problema: questões analíticas (equações simples e contas de divisão) e enigmas criativos (parecidos com os que você resolveu). Ao contrário do esperado, o desempenho dos sonolentos foi igual ao de estudantes sem sono nas contas matemáticas. Já nas questões criativas, a surpresa foi ainda maior: a performance melhorou em até 50%. Já um estudo publicado este ano pela Universidade de Illinois (EUA) usou pessoas alcoolizadas (0,075 de con centração alcoólica no sangue) para resolver problemas criativos. Resultado: o desempenho melhorou em 30%. “Uma cerveja antes do almoço é muito bom para ficar pensando melhor”, escreveu Chico Science. Mal sabia ele quanta science poderia existir nisso.

Outro ponto polêmico: distrações podem te deixar mais criativo. Faça este teste usado pela psicóloga americana Holly White em uma pesquisa sobre distração e criatividade. Observe a seguinte conta, que está errada: III = III + III. Agora tente corrigir a equação movendo apenas um dos traços (resposta no rodapé da última página desta matéria). Se acertou, parabéns. Mas talvez você tenha conseguido justamente por ser mais distraído do que a média. Ser avoado deixaria você mais aberto às associações mentais inesperadas, a chave para boas ideias, diz a ciência.

Na pesquisa feita por White, estudantes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) foram muito melhor em testes de criatividade. Eles também haviam ganhado mais prêmios e menções honrosas em todas as áreas do conhecimento, da arte dramática à engenharia. Pessoas distraídas geralmente têm mais atividade no hemisfério direito do cérebro. “O mundo é tão complexo que a cabeça tem que processá-lo de dois jeitos diferentes”, afirma Beeman. “É preciso enxergar uma árvore só e a floresta inteira ao mesmo tempo. O hemisfério direito é quem ajuda a ver a floresta.”

Para Lehrer, é exatamente essa visão global que está por trás do pensamento criativo. Na palestra para os executivos no Brasil, ele contou como Bob Dylan só foi capaz de criar sua obra-prima Like a Rolling Stone depois de se distrair, abandonar uma turnê e entrar em uma espécie de transe. “Eu me vi do nada escrevendo essa música, uma longa história vomitada em 20 páginas”, afirmou Dylan. “É uma mistura de La Bamba, poesia beatnik e Beatles”, diz Lehrer. “O que ele fez foi enxergar o estranho fio que conecta tudo isso. Enquanto escrevia, seu hemisfério direito encontrou um jeito de juntar essas influências incongruentes em um hit musical.”

Foi justamente para investigar a relação entre distração e criatividade que comecei a escrever esta matéria em um restaurante. Mas por que árabe? E por que tão longe de casa? Segundo estudos recentes, quanto mais distante você está — física ou psicologicamente — de onde mora, mais criativo tende a ser. Em uma pesquisa da Indiana University (EUA), estudantes pontuaram mais em um teste de usos criativos de meios de transporte só por imaginar que eles haviam sido concebidos ou seriam usados em outro país.

NÃO SOLTE AS AMARRAS

Viajar e se distrair ajuda a ter boas ideias. Afinal, criatividade é sinônimo de liberdade, não é? Segundo estudo da psicóloga Janina Marguc, da Universidade de Amsterdã, não. O resultado de sua pesquisa sobre o impacto de restrições na criatividade mostra que, se me deixassem escolher o tema e o tamanho desta matéria, por exemplo, o resultado seria menos criativo. Ter uma ordem mais estrita, no caso, “escreva 10 mil caracteres sobre criatividade”, libertaria a parte do meu cérebro ocupada em definir tamanho e tema e deixaria mais processamento cerebral à disposição para gerar ideias. Isso aumentaria o acesso a insights que surgem no inconsciente, o que deixa qualquer pessoa mais inovadora.

A revolução na neurociência da criatividade é mesmo uma faca de dois gumes. Dá argumentos para você se libertar do escritório e da sala de aula, porém justifica as ordens do chefe.Mas ainda há um meio de garantir seu livre-arbítrio durante o processo de criação. Basta usar o argumento de autoridade de um dos homens mais geniais da história: “Criatividade é o que ganhamos com tempo gasto à toa”. Se te perguntarem “Quem foi o Einstein que disse isso?”, é só responder: o próprio — vulgo Albert.

Dicas
Antes sóFazer brainstorming não é uma boa. Segundo pesquisa da Universidade de Washington (EUA), simplesmente dar e ouvir palpites sem poder fazer críticas não ajuda a aprimorar as ideias. Quem quebra a cabeça sozinho pode conseguir até o dobro de soluções para um problema.

Siga os bons
Tudo azul
Recorra aos ambientes ou mesmo a uma folha azul para resolver problemas. Pesquisa da Universidade British Columbia (Canadá) revelou que a cor favorece os insights. Por remeter a ambientes amplos como céu e mar, ajudaria a expandir a mente.

Corra do vermelho
Ele funciona como o sinal do “pare” no semáforo. No estudo da British Columbia, ajudou na memória e atenção, mas prejudicou a criatividade, já que lembra restrição.

Pense dormindo
Quanto mais sonolento estiver, melhores ideias terá. O cansaço melhorou em até 50% o desempenho em testes de criatividade feitos pela psicóloga cognitiva Mareike Wieth, da Albion College (EUA).

Sonhe acordado
Você vive no mundo da lua? Continue assim. Uma pesquisa de Jonathan Schooler, da Universidade da Califórnia (EUA), descobriu que gente desligada se sai melhor em diversos experimentos de criatividade.

Seja criança
Criar pode ser uma brincadeira. Literalmente. O psicólogo Michael Robinson, da Universidade da Dakota do Norte (EUA), pediu que pessoas imaginassem ter 7 anos de idade. Resultado: elas se deram muito melhor em testes criativos.

Solte o riso Rir é o melhor remédio. Mark Beeman e John Kounios (responsáveis pela descoberta do ponto G da criatividade) mostraram um video de stand-up comedy do Robin Willians para algumas pessoas e, depois, as colocaram para resolver problemas. O desempenho foi 20% melhor do que o de quem havia assistido a vídeos chatos
ou assustadores.

Saia do campo Se você quer ter uma grande ideia, fuja das áreas rurais. Físicos do Instituto Santa Fé (EUA) descobriram que mudar de uma cidade pequena para uma grande aumenta em 15% a chance de criar uma nova patente.

Ah, Vá tomar banho
Quem diz isso é o psicólogo Joydeep Bhattacharya, da Universidade Goldsmith (Londres). Ele descobriu que o banho aumenta a quantidade de ondas cerebrais alfa, que faz crescer a chance de você ter um insight.

In: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI314406-17771,00-ESQUECA+O+QUE+VOCE+SABE+SOBRE+CRIATIVIDADE.html Acessado em 05.11.2011          
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31 outubro 2012

Todos com Todos


Todos com Todos, é uma sociedade inclusiva, que busca diversidade, igualdade e justiça equânimes.
Nessa sociedade, todos os seus construtores sociais, culturais, educacionais, ambientais estão voltados e focados para o Desenho Universal.
“Desenho Universal, ou Desenho Total ou Desenho Inclusivo,  é um enfoque no desenho de produtos (leia-se filosofia de desenho), serviços e ambientes a fim de que sejam usáveis pelo maior número de pessoas possível independente de idade, habilidade ou situação. Está diretamente relacionado ao conceito de sociedade inclusiva e sua importância tem sido reconhecida  em todo o mundo pelos governos, empresários e indústria.
No Desenho Universal, o inventor, o projetista estuda uma série de questões que geralmente não são abordadas em um projeto comum, porque neste trabalho ele precisa considerar todas as possibilidades de uso, por usuários muito diferentes. Isso inclui questões sociais, históricas, antropológicas, econômicas, políticas, tecnológicas, e principalmente de ergonomia e usabilidade.
 Design Universal é um termo relativamente novo que surgiu do "desenho  acessível" - livre de barreiras para dar acessibilidade a pessoas com deficiência.  Mas o desenho Universal é muito maior que a acessibilidade. “ (Wickipédia)
“Onde a acessibilidade é passiva – deixando a porta aberta sem obstáculos no caminho – a inclusão te convida de forma ativa a participar da rede humana, indo além da porta livre de barreiras. Acessibilidade olha para coisas e lugares. Inclusão olha vidas humanas”. (Scott Rains)
Scott Rains






“A inclusão social das pessoas com deficiência é uma ação que, hoje, já podemos afirmar que acontece na nossa sociedade. Não é ainda completa, mas já tomou forma e a consciência das pessoas e de alguns governantes. Com a inclusão arraigada na base da formação e informação, podemos dar um passo à frente e não falar mais nesse conceito isolado, que cria mecanismos e ferramentas para trazer ao seio social um grupo de pessoas que estão à margem desse processo. Estamos levantando agora uma outra questão, mais abrangente e, sem dúvida, principal: defender um mundo de acessos universais, sem segregações, um mundo para todos.
Se caminharmos pela rua, poderemos notar que nenhum ser humano é igual ao outro e que o normal é, exatamente, ser diferente.
O Desenho Universal, este conceito que tem como objetivo definir projetos de produtos e ambientes que contemplem toda a diversidade humana: desde as crianças, adultos altos e baixos,anões, idosos, gestantes, obesos, pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.
O Desenho Universal é o caminho para uma sociedade mais humana e cidadã."









Parque para Todos - Exemplo de Equipamento dentro dos Princípios do Desenho Universal - Todos com Todos!
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15 outubro 2012

A REVOLUÇÃO DAS EMOÇÕES

Autoria: Neil Hamilton Negrelli Jr






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“Não gostar de emoções negativas é tão útil quanto não gostar de inverno.
O inverno virá você querendo ou não, assim como as emoções. Melhor do que gostar ou não gostar é saber lidar com elas”.

 
"Percebemos que nos dias atuais as qualidades emocionais estão sendo cada vez mais exigidas. Mais exigido que o QI, agora o QE (coeficiente emocional) que esta sendo o pré-requisito cada vez mais solicitado em diversas empresas. Os maiores especialistas do mundo em análise comportamental alertam que o mais importante nos nossos dias não é o quanto se sabe, mas sim como se relacionar melhor consigo mesmo e conseqüentemente com as pessoas que conosco convivem. Para melhorarmos o nosso QE é necessário expandirmos nossa inteligência emocional.
É comum a pessoa buscar somente um desenvolvimento técnico. O que diferencia os homens dos animais é o raciocínio, portanto vivemos procurando desenvolvê-lo, mas a formação racional e técnica não mais determinam o sucesso.

Passamos por uma grande fase de desenvolvimento industrial, tecnológico, mais recentemente assistimos a grande evolução da informática. Mas ultimamente o desenvolvimento técnico tem sido cada vez mais similar entre as pessoas, o que torna o mercado de trabalho mais competitivo. Qualquer criança já sabe usar um micro. A maior parte das pessoas tem a consciência de que estudo é imprescindível e essa maioria de pessoas se esforça e consegue, mesmo que com muito esforço terminar uma faculdade. O mercado de trabalho encontra-se cada vez mais concorrido e a qualidade dos candidatos cada vez mais similar. Por tal motivo, a comunidade científica mantém seus olhos cada vez mais fixos no estudo das emoções. Não somente os cientistas, mas as pessoas que contratam também. O maior diferencial que um candidato pode apresentar não é mais um curso no exterior, ou um aperfeiçoamento em sua área profissional. Esse tipo de diferencial podemos encontrar de baciada hoje em dia. O maior diferencial a ser apresentado hoje são qualidades emocionais. Psicólogos de empresas de RH afirmam ser esse o critério mais utilizado no momento da seleção. Dizem que o que tem interessado mais, ultimamente, é a maneira como a pessoa lida com as demais pessoas do que um currículo exemplar. O que alegam é que pessoas com milhares de cursos é muito fácil encontrar. Quando elegem um candidato que apresenta algum problema técnico na função que ira executar, apenas pouco tempo de treino pode sanar o problema. Já problemas de fundo emocional, como autoritarismo, descontrole, são muito mais difíceis de se trabalhar em um funcionário. Isso em todas as áreas. Não adianta formar um jogador de futebol tecnicamente perfeito, para depois ele chutar a câmera que o mostra para o mundo. Antigamente para uma vaga de emprego eram avaliados somente currículos. Hoje são realizadas dinâmicas em grupo para avaliar os candidatos em amplos aspectos. Não basta mais somente avaliar o lado técnico.

Podemos perceber então que mais do que nunca é necessário possuir o controle das emoções para que em determinado momento ela não venha nos atrapalhar. Ou você entende suas emoções ou você se torna vítima delas. Algumas pessoas acreditam que possuir o domínio das emoções é deixar de sentir aquelas que parecem ser prejudiciais, deixar de sentir emoções como raiva, medo, qualquer emoção que traga sentimentos desagradáveis e possíveis descontroles. Ter o domínio das emoções é bem diferente disso. É algo muito maior do que gostar ou não gostar, ou até mesmo maior que buscar meios para impedir a existência de tais emoções. O melhor caminho para obter o controle de suas emoções é compreendê-las de maneira mais completa, como um mecanismo fisiológico. Cada emoção possui uma função fisiológica positiva, se conseguirmos compreender que mesmo as emoções que são aparentemente negativas, possuem uma função fisiológica positiva é possível tirarmos um resultado positivo de todas as emoções.

Com a correria dos tempos modernos, nosso tempo se torna cada vez mais escasso e nossa atenção cada vez mais voltada para o meio externo. Temos que nos preocupar realmente com muitas coisas. Com o trabalho, com a faculdade, com os filhos, com as compras de casa, com o almoço, jantar. São muitos itens que prendem nossa atenção ultimamente. Com a atenção dirigida para fora, sobram menos conduções para dirigir nossa atenção às emoções. Não darmos a devida atenção à elas não significa que elas não estão acontecendo, muito pior, elas vão ficando embutidas dentro de nós mas em determinado momento ela vai aflorar, e isso pode ocorrer de maneira mais intensa do que o necessário. Daí vem o surgimento de algumas formas modernas e realmente mais intensas de ansiedade. Cada uma de nossas emoções merece a atenção necessária. Acontece com inúmeras pessoas ir empurrando-as com a barriga. Não dar atenção às suas emoções ou tentar levar com a barriga como se nada tivesse acontecendo é como segurar um vazamento de água em um cano com as mãos. Vai ter uma hora que vai estourar. É necessário seguirmos por outro caminho. Essa energia gerada pelas emoções pode ser utilizada em nosso favor. Se aprendermos dirigir a energia gerada por essas emoções na conquista de objetivos ou na busca de uma vida mais saudável, teremos bons resultados e ainda teremos saído sábios no uso adequado de nossas emoções. Não existe emoção positiva e emoção negativa, todas as emoções possuem uma função biológica. Você vai vivenciar as emoções por toda a sua vida de uma forma ou de outra.

São quatro emoções básicas que regem a nossa vida: raiva, tristeza, medo e alegria. Estas emoções são responsáveis por todas as demais emoções que sentimos. Como falamos cada uma com uma função fisiológica positiva. Para obter o controle de nossas emoções é necessário compreender cada uma delas. Assim poderemos abrir nossa mente na busca de novos caminhos onde poderemos expressar todo nosso potencial.

A RAIVA

A raiva é uma emoção intensa e possui uma característica destrutiva. Pode aparecer em diversos graus de intensidade, desde uma leve irritação até explosões que pode causar danos maiores. Em momentos de raiva, as pessoas falam sem pensar e normalmente direcionam essa raiva para cima de uma outra pessoa. De modo geral essa emoção é muito mal utilizada. Geralmente é direcionada para a pessoa amada ou para aquelas que estão mais próximas, família e amigos. Dizemos palavras de raiva para as pessoas mais próximas, pessoas que mais amamos, que não diríamos para um estranho na rua. Certa vez foi colocada uma câmera escondida na casa de um traficante. A polícia analisava a vida desse traficante para que pudesse dar um flagrante. Um dia ele estava brigando com a esposa e seu filho, uma criança, estava brincando com um carrinho. Nervoso, quando o filho passou perto dele, ele gritou: “Sai daqui moleque!”. A criança tem o costume de testar então ela continua e dessa vez ele gritou: “Sai daqui seu burro e idiota!”. A criança já começa a acreditar no que ele diz. Numa terceira vez ele chuta a criança de forma tão agressiva, que ela cai na parede e perde o ar. Nesse momento a polícia entrou e o prendeu. Esse traficante jogou a raiva que estava sentindo em cima de uma criança que nada tinha a ver com a situação. Bater em uma criança nada mais é que descontar sua raiva. Você bate quando não tem mais o que fazer. Fala, pede, briga, da bronca, nada adianta então você se irrita e para descontar sua raiva bate. Bater em criança é falta de recurso do pai. É possível utilizar outros recursos para convencer uma criança sem bater. Usar a raiva dessa maneira gera cicatrizes nas pessoas. Às vezes nem cura e já vem outra marca. É necessário tomar cuidado com as marcas causada em outras pessoas. Acontece também, em outros casos, da pessoa ser treinada para não sentir raiva, o que é impossível. Vimos que a raiva é caracterizada como destrutiva, imagina como será guardar algo destrutivo dentro de você por algum tempo. Com certeza essa ação não trará bons resultados. Se não for bem canalizada, a raiva pode levar a doenças como úlcera gástrica, hipertensão, disfunções cardíacas entre outras. Mal dirigida, a raiva pode ainda se tornar intensa a ponto de fazer com que uma pessoa perca o limite de uma conduta razoável e tenha comportamentos dos quais possa vir a se arrepender.

A raiva surge quando algo contraria as intenções das pessoas. Ela deve ser usada para corrigir esse desvio. A forma adequada de se utilizar a raiva, é canalizá-la para a conquista de seus objetivos. Para isso é necessário usar a raiva contra o problema que a causou. Usando-a assim você poderá ter ganhado imensos.

Vamos supor que você esteja próximo ao final do ano e tenha uma prova de uma matéria que odeia. Você necessita tirar uma nota alta, mas não suporta nem a idéia de ter que estudar aquilo. Essa prova surge contra as suas intenções conseqüentemente surge a raiva. Um amigo mesmo sabendo que você necessita tirar uma boa nota te chama para tomar uma cervejinha. Jogar a raiva pra cima desse amigo não trará resultados, pode sim acabar com uma amizade. Você deve utilizar a raiva para corrigir o que a causou. Se tirar uma boa nota pode se ver livre da matéria. Você fica com muita raiva por não poder sair com os amigos e tomado por essa raiva você pode conseguir forças para estudar e alcançar o êxito na matéria. Assim a raiva será bem canalizada. Ela esta sendo canalizada para a conquista de um objetivo: passar de ano. Você a joga em cima do problema que a causou.

A TRISTEZA

A tristeza é uma emoção que te faz refletir. Ela é um mecanismo de alerta para mostrar quando algo não vai bem na nossa vida e tem a intenção de nos fazer solucioná-los. Embora não seja agradável sentir-se triste é importante darmos atenção a essa emoção, a esse mecanismo de alerta. A tristeza é um verdadeiro alarme.

Pense na tristeza como uma lâmpada vermelha que se ascende quando algo não conveniente acontece, quando algo não esta legal. Se você perdeu seu emprego, por exemplo, você sente-se triste, a lâmpada ascendeu, o alarme esta ligado. O que indica que você deve encontrar uma solução para o problema. Qualquer outro tipo de problema: financeiro, pessoal, relacionamento, fatores que levam à tristeza. Você sente-se triste, a lâmpada ascendeu. Ela esta te induzindo a buscar uma solução. Ninguém gosta de sentir-se triste, sendo assim a pessoa procura achar uma solução para dar fim a esse sentimento desagradável. Quando a solução para o problema é encontrada, a lâmpada então se apaga. Algumas soluções são mais fáceis, outras requerem um poço mais de cuidado e atenção. O grande problema dessa emoção é que algumas pessoas não dão atenção ao alarme. Elas não buscam uma solução e seguem a vida na esperança de que a um dia ela se apague. A pessoa segue a vida sem buscar uma solução ao que causou a tristeza. Então a lâmpada começa a brilhar ainda mais forte, mostrando que realmente algo não esta correto. Neste caso a tristeza tende a aumentar. Continuar nesse caminho pode levar a algo bem pior, a uma tristeza muito mais forte, o que pode ocasionar uma forte depressão. Portanto é necessário buscar uma solução pro problema. Sempre há uma maneira de se resolver um problema. Importante lembra-se que a tristeza é um alarme. Ela não resolve o problema e sim o ajuda a identificá-lo."

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http://www.sbneurociencia.com.br/drneil/artigo7.htm

(*) Médico formado pela USP. Especializado em Cirurgia Crânio-Cérvico-Facial,
também pela USP. Membro da Sociedade Pan-Americana de Trauma.
Empresário há 22 anos com foco em Formação de Equipes e Liderança.
Master Practitioner e Trainer em PNL
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11 outubro 2012

Em comemoração ao dia das crianças: visibilidade às deficiências como instrumento de inclusão

Mais uma vez, queremos em nosso blog dar visibilidade aos pais e seus sentimentos a respeito das deficiências de seus filhos. Esperamos que a leitura desses textos, autores, façam com que todos possamos  também identificar suas dores e anseios. E dessa forma estaremos todos mais disponíveis para lutarmos por direitos, cidadania, inclusão e desenho universal. Ou seja, todos temos direitos à ir e vir, de estar nas ruas convivendo e participando dos ritos sociais, culturais, folclóricos, religiosos, educacionais e sobretudo conviver em parques públicos, praças, esplanadas, calçadas, lojas, restaurantes, cinemas, teatros, bares, escolas e casa dos amigos.

Para tanto, temos muito a conquistar.

E que cada vez mais crianças com deficiências possam estar nas ruas, e que seus pais e familiares não sintam a dor da indiferença, da segregação, do desprezo, do preconceito, da rejeição, ou até do medo que outras pessoas sentem por desconhecimento do assunto.

Neste próximo dia 12 de Outubro, dia da criança, que as crianças com deficiências possam estar em todos os lugares que devem estar: integradas à nossa sociedade, sendo como todas crianças, simplesmente crianças.

Segue abaixo a matéria do Portal a TARDE



AUTORES RECORREM A ESCRITA COMO FORMA DE LIDAR COM A DOR
Mariana Paiva

"Era uma noite paulistana. Todas as moças já haviam se recolhido para dentro depois do passeio da tarde, mas quem passasse pela calçada da rua Riachuelo podia ver a luz fraca de vela na janela de uma das casas. Insone por conta da tuberculose que o atingira nos pulmões, o poeta Álvares de Azevedo escrevia sobre amor e morte em versos que atravessariam os séculos. Os papéis à sua frente eram, antes de tudo, um meio de lidar com a doença que levaria prematuramente sua vida, aos 21 anos.

Quase dois séculos se passaram para que as livrarias de todo o país exibissem em suas vitrines o novo livro de Diogo Mainardi, A Queda: as Memórias de um Pai em 424 Passos (Record, 150 p., R$ 24,90). Na obra, o autor busca na expressão literária um modo de lidar com a paralisia cerebral do filho mais velho, Tito.

Novamente a literatura se coloca a serviço das catarses do escritor, agora pelo prisma do pai, que escreve amparado em toda sorte de referências: do escultor renascentista Pietro Lombardo ao poeta Ezra Pound, do arquiteto Le Corbusier ao escritor Albert Camus. Todos unidos e interligados para introduzir o autor no universo de quedas, passos em falso e conquistas diárias do filho Tito.

No dia do nascimento do menino, diante do prédio da Scuola Grande di San Marco, que abrigava o hospital público no qual Tito nasceria, sua mãe, Anna, disse que estava com medo do parto. Diogo prontamente respondeu: "Com esta fachada, aceito até um filho deforme". Horas depois, Tito nascia, e um erro de procedimento da médica determinou-lhe a paralisia cerebral. A partir daí, Diogo começa a fazer as associações em 424 pequenos capítulos, interligando fatos da vida de Tito com acontecimentos históricos e culturais que poderiam ter dado um rumo diferente à história do menino, iniciada há 12 anos.

Doutor em Literatura e Crítica Literária, o professor da Universidade Federal da Bahia Djalma Thürler considera este tipo de literatura de mão dupla: tanto funciona para o autor lidar com suas questões quanto para o leitor, que aprende com a experiência posta na obra. "Acho que os livros sempre nos dão respostas. Não tem a ver com autoajuda, mas com visitação a outros mundos, a outras subjetividades. São experiências alheias que te ajudam a compreender as suas próprias, a literatura tende a isto", afirma.

Em relação à perspectiva do autor que põe sua vivência de doença ou de superação na obra, Djalma considera: "Essas experiências são epifânicas, fazem com que esses autores mudem, promovem rasuras na linha artística. Foi assim com José Celso Martinez Correa, que mudou sua forma de fazer teatro depois da morte do irmão".

Exemplos
Outra obra que se encaixa neste perfil é A Mulher Trêmula (Companhia das Letras, 208 p., R$ 42), de Siri Hustvedt. No livro, a escritora americana busca explicações para os tremores que passam a acometer seu corpo. Para isto, ela evoca explicações no campo da neurologia, psiquiatria e psicanálise, e apresenta referências que vão de Dostoiévski a Oliver Sacks.

Em O Filho Eterno (Record, 224 páginas, R$ 34), o escritor catarinense Cristóvão Tezza se põe na obra ao falar da convivência com seu filho Felipe, portador da Síndrome de Down. Bastante polêmico por apresentar sentimentos como a vergonha que o autor por vezes sente do filho, o romance autobiográfico abre as portas do cotidiano vivido por Cristóvão e Felipe."

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